Vídeo de Sergio Moro sobre pedido de Jair Bolsonaro para não atrapalhar investigações de Flávio circula na rede
Deputado Túlio Gadelha publicou vídeo onde Moro relata pressão de Bolsonaro para não interferir em investigações de corrupção.
Por Redação Diário Local
O deputado federal Túlio Gadelha (PSD) publicou, nesta segunda-feira (19), um vídeo no qual o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), relata um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ele não interferisse nas investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o registro, Bolsonaro teria orientado Moro, durante sua gestão no Ministério da Justiça, a "se não for ajudar, não atrapalhar" o caso.
As declarações foram feitas por Moro em uma entrevista concedida em janeiro de 2022. Na ocasião, o ex-ministro afirmou que o ex-presidente demonstrava receio de que investigações sobre corrupção pudessem atingi-lo pessoalmente.
Moro detalhou que, em determinado momento de seu mandato, houve um movimento para transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. O ex-juiz da operação Lava Jato interpretou a mudança como uma tentativa de enfraquecer o combate à lavagem de dinheiro.
O ex-ministro também mencionou que Bolsonaro buscou evitar que ele atuasse no Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma decisão judicial que beneficiava o filho. Na época, uma liminar concedida pelo ministro Dias Toffoli suspendeu a utilização de relatórios do Coaf, do Banco Central e da Receita Federal sem autorização judicial prévia.
De acordo com Moro, essa decisão paralisou investigações de lavagem de dinheiro em todo o país por cerca de quatro meses. O ex-ministro afirmou que, embora entendesse a situação do filho do presidente, considerava a liminar prejudicial ao sistema de apurações do país.
O que são as investigações de "rachadinha" contra Flávio Bolsonaro?
As apurações contra o senador Flávio Bolsonaro tratam de um suposto esquema de "rachadinha" — desvio de recursos públicos — ocorrido durante seu mandato como deputado estadual na Alerj, entre 2007 e 2018. O caso ganhou força após relatórios do Coaf, em 2018, apontarem movimentações financeiras atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador.
Queiroz é apontado como o operador central do esquema, responsável por recolher e repassar valores. Em 2020, o senador chegou a ser denunciado por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita.
Apesar das denúncias, o processo enfrentou diversos reveses jurídicos nos anos seguintes. A liminar de julho de 2019, que restringiu o acesso a dados financeiros para investigações, foi um dos principais fatores que interromperam o ritmo das apurações sobre o senador.
