Estratégia de linguagem corporal de Trump é replicada por Flávio Bolsonaro e Haddad em debates
Movimentação de ocupar o espaço visual do adversário durante a fala tornou-se comum em debates recentes no Brasil
Por Redação Diário Local
Uma estratégia de linguagem corporal utilizada por Donald Trump durante a campanha presidencial dos Estados Unidos, em 2016, foi replicada em debates políticos no Brasil. A manobra consiste em ocupar o espaço visual do adversário enquanto ele fala, permitindo que as câmeras registrem reações, gestos e expressões faciais de quem observa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) adotou o movimento durante o debate realizado pela Band neste domingo (18), ao posicionar-se atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enquanto o petista discursava. A ação ocorreu no primeiro confronto entre os dois, marcado por provocações a uma semana do segundo turno da eleição presidencial.
De acordo com as regras do encontro da Band, os candidatos tinham permissão para circular pelo estúdio, o que possibilitou a movimentação de Flávio Bolsonaro. O senador utilizou o espaço para realizar gestos e expressões que ficaram visíveis durante a participação de Lula.
A tática também foi observada na disputa pelo governo de São Paulo durante o primeiro turno das eleições. No debate ocorrido em 9 de agosto (sábado), o candidato derrotado Fernando Haddad (PT) realizou movimentação semelhante ao se aproximar de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Como funciona a tática de ocupação de espaço?
A técnica envolve não permanecer restrito ao próprio púlpito ou local designado. Ao se posicionar atrás do oponente, o candidato passa a integrar o enquadramento da imagem da outra pessoa, transformando a disputa em um confronto que vai além do conteúdo verbal.
O objetivo é produzir imagens com alto potencial de circulação em redes sociais. A postura corporal e as reações de quem escuta passam a integrar a cena, tornando a linguagem não verbal um elemento central do debate político.
O precedente com Donald Trump
O episódio mais conhecido dessa estratégia ocorreu no segundo debate entre Donald Trump e Hillary Clinton, em 9 de outubro de 2016, na Universidade Washington, em St. Louis. Na ocasião, Trump se aproximou e permaneceu atrás da candidata democrata enquanto ela respondia a uma pergunta.
A movimentação foi interpretada por críticos como uma tentativa de intimidar a adversária, tornando-se uma das imagens mais marcantes daquele confronto. Trump, por sua vez, contestou a interpretação de que teria invadido o espaço de Hillary Clinton.
