Vaticano excomunga bispos e padres da Fraternidade São Pio X por rompimento com a Igreja
Decisão do Vaticano declara grupo em cisma após ordenação de bispos sem autorização papal; padre no DF também foi punido.
Por Davy Albuquerque
O Vaticano declarou a excomunhão de bispos e padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), acusando o grupo de estar em cisma com a Igreja Católica. A decisão, publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, ocorre após a ordenação de novos bispos sem a autorização do papa.
A medida aplica a excomunhão automática (latae sententiae) contra o bispo Alfonso de Galarreta, que realizou as consagrações de quatro novos bispos, e contra os padres Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. O bispo Bernard Fellay também foi punido por participar da cerimônia como co-consagrante.
No Distrito Federal, a Arquidiocese de Brasília confirmou a excomunhão do padre Françoá Costa e de todos os membros da comunidade da Capela Santo Atanásio, localizada na Ceilândia. Segundo a arquidiocese, as atividades e celebrações no local, como confissões e casamentos, são consideradas ilegítimas e inválidas perante a Igreja.
O que é a Fraternidade São Pio X?
A FSSPX é uma congregação fundada em 1970, em Friburgo, na Suíça, por Dom François Charrière. O grupo defende práticas tradicionais do catolicismo, como a celebração da missa em latim, e critica mudanças promovidas pela Igreja nas últimas décadas.
Atualmente, a organização está presente em cerca de 60 países, contando com 720 sacerdotes e seis seminários internacionais. Seus membros realizam desde ministérios paroquiais até o ensino superior e obras de caridade.
Qual o motivo da punição do Vaticano?
O estopim para a decisão foi a ordenação de bispos sem o aval de Roma, o que, segundo a teologia católica, configura um ato cismático gravíssimo. O Vaticano afirmou que as tentativas de diálogo para reintegrar o movimento à plena comunhão foram infrutíferas.
A Santa Sé alertou que todos os ministros sagrados da FSSPX estão oficialmente em cisma e que fiéis leigos que aderirem formalmente ao grupo também serão considerados excomungados. A Igreja declarou que os sacramentos administrados pela fraternidade são ilícitos e sem efeito espiritual ou jurídico.
Qual a defesa do grupo?
Em nota pública, a Fraternidade negou a acusação de ruptura formal e argumentou que a desobediência ao Papa não configura, necessariamente, um cisma. O grupo sustenta que seus sacerdotes mantêm o respeito ao Pontífice, rezando por ele nominalmente em todas as missas.
A defesa baseia-se no Direito Canônico, alegando que as ações foram motivadas por um "estado de necessidade" diante de uma crise de fé na Igreja. Sob esse argumento, a organização afirma que os sacramentos realizados, como casamentos e confissões, continuam sendo válidos.
O padre Françoá Costa, em Ceilândia, declarou que a comunidade recebeu a nota da arquidiocese com tranquilidade e defendeu que os sacramentos na capela são lícitos com base no princípio da jurisdição de suplência.
