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Voto cruzado entre Lula e Tarcísio de Freitas ocorre em 12% dos locais de votação de São Paulo

Levantamento mostra que em 1.360 locais de votação paulistas o presidente e o governador foram os mais votados no primeiro turno.

Por Redação Diário Local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foram os candidatos mais votados para seus respectivos cargos em 1.360 locais de votação no estado de São Paulo durante o primeiro turno das eleições. O fenômeno de voto cruzado, em que o eleitor escolhe candidatos de campos políticos opostos, ocorreu em 12% do total de seções do estado, contrariando as alianças defendidas pelos dois políticos durante a campanha.

A incidência desse comportamento variou significativamente entre as regiões. Em Rio Grande da Serra, na Grande São Paulo, Lula e Tarcísio lideraram as votações em 76,47% dos 17 locais de votação do município. Na capital paulista, o fenômeno atingiu 481 dos 2.058 locais de votação, o que representa uma proporção de 23%, número superior à média registrada no conjunto do estado.

Em outras cidades da região metropolitana, o voto cruzado também apresentou números expressivos. Em Carapicuíba, o índice foi de 61,67%, enquanto em Itaquaquecetuba a marca chegou a 65,33%. Esses dados foram utilizados em reuniões de estratégia organizadas pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para discutir o desempenho do senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Por que ocorre o voto cruzado?

Para o cientista político Jairo Pimentel, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o movimento reflete uma escolha pragmática do eleitorado. Segundo o especialista, o eleitor não votaria necessariamente por ideologia, mas sim com base nas realizações e no desempenho observado nos governos dos dois incumbentes.

Pimentel avalia que esse perfil de eleitor não se deixa influenciar facilmente por endossos políticos, priorizando benefícios recebidos durante a gestão. No entanto, o professor ressalta que a margem de manobra para conversão de votos no segundo turno é apertada, com pesquisas indicando uma variação de apenas 1% a 2%.

De acordo com a análise do especialista, a mudança de preferência costuma ocorrer de forma indireta, por meio do aumento da rejeição ao adversário através de campanhas de crítica e ataques políticos.

Quais as estratégias para o segundo turno?

Diante do cenário, a campanha liderada pelo PL busca engajar prefeitos para melhorar o desempenho do senador Flávio Bolsonaro. O prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues (PL), relatou que a orientação é dividir a atuação dos gestores em duas frentes: ampliar a vantagem onde o senador venceu e tentar reverter o resultado nas cidades onde Tarcísio foi o mais votado.

Boigues, que foi o candidato mais votado do país em municípios com segundo turno, afirmou que pretende utilizar sua popularidade local para buscar votos para o senador. O governador Tarcísio de Freitas também tem participado de agendas com o aliado para tentar fortalecer a candidatura no estado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.