Senador Weverton Rocha nega que tentou obstruir investigações contra grupo político no Maranhão
Parlamentar afirmou nesta sexta-feira (14) que diálogos com ministro do STJ foram apenas institucionais.
Por Redação Diário Local
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) negou, nesta sexta-feira (14), ter atuado para obstruir investigações que miram o grupo político do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). O parlamentar afirmou que as interações com o magistrado investigado foram estritamente institucionais e ocorreram dentro de agendas oficiais.
A Polícia Federal (PF) investiga se o senador utilizou sua proximidade com o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, para tentar impedir o avanço de uma sindicância. O inquérito apura possíveis casos de corrupção, peculato e desvios de recursos públicos.
De acordo com os investigadores, o objetivo de uma possível articulação seria obstar o prosseguimento da apuração, especialmente após o homicídio do empresário João Bosco, ocorrido em 2022. As informações sobre o caso foram tornadas públicas após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo do processo.
Dados extraídos do celular do parlamentar, apreendido durante a Operação Sem Desconto — que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) —, revelaram uma série de ligações, mensagens e áudios trocados entre o senador e o ministro do STJ.
Defesa do senador
Em sua defesa, Weverton Rocha declarou que os diálogos fazem parte de sua atuação como relator de medidas voltadas ao Judiciário. O parlamentar ressaltou que todos os encontros foram anotados e realizados dentro do gabinete, como rotina do Congresso Nacional.
O senador afirmou ainda que, caso tenha ocorrido algum desdobramento após as reuniões, tratar-se-ia de uma coincidência. Ele classificou como "forcação de barra" qualquer insinuação de envolvimento com o caso, lembrando que era candidato a governador na última eleição e não fazia parte do grupo de Brandão.
Weverton, que é candidato ao Senado nas eleições deste ano, fez as declarações na saída de gravações eleitorais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta sexta-feira (14). O parlamentar garantiu que não mencionou o tema com o presidente durante o encontro.
Ao comentar a situação com o presidente, o senador citou que Lula conhece as injustiças do sistema jurídico. "O presidente Lula, mais do que ninguém, sabe o que é injustiça. O presidente Lula já foi processado injustamente, já foi preso injustamente e o maior juiz do Brasil, que é o povo, o julgou", disse Weverton.
