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Saúde

Acidentes de moto geram 144 vítimas por dia no Rio e sobrecarregam rede de saúde

Corpo de Bombeiros registra média de seis atendimentos por hora e casos ocupam leitos de cirurgias eletivas.

Por Redação Diário Local

Acidentes envolvendo motociclistas causam uma média de 144 vítimas por dia no estado do Rio de Janeiro, segundo dados do Corpo de Bombeiros. O volume de ocorrências tem sobrecarregado a rede pública de saúde, com hospitais relatando ocupação de leitos e o adiamento de cirurgias eletivas.

Entre janeiro e junho deste ano, a corporação realizou mais de 25 mil atendimentos a vítimas de acidentes com motocicletas, o que representa uma média de seis ocorrências por hora. O índice corresponde a 75% de todos os resgates realizados pelos bombeiros no estado.

O tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros, explica que a falta de absorção de energia pelo veículo faz com que o impacto do acidente seja sentido diretamente no corpo do condutor. Ele aponta que a pressão por cumprimento de prazos e a distração, como o uso de GPS, contribuem para o aumento dos riscos.

Impacto na rede hospitalar

O fluxo de emergências afeta diretamente a programação de hospitais de referência. No Hospital Municipal Barata Ribeiro, na Mangueira, a demanda por atendimentos ortopédicos resultou na interrupção do serviço de geriatria para que a unidade pudesse ampliar a capacidade de cirurgias.

No Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, o coordenador do Centro de Trauma, Marcelo Pessoa, destaca que a maioria das vítimas é composta por homens jovens, entre 20 e 29 anos. Segundo o médico, o atendimento desses pacientes exige uma estrutura complexa de especialidades, como neurocirurgia, cirurgia vascular, ortopedia e cirurgia plástica.

No Hospital Lourenço Jorge, cerca de 80% das cirurgias decorrentes de sinistros de trânsito envolvem motociclistas, conforme informou o diretor da unidade, Bruno Guimarães. O médico Marcelo Pessoa ressalta que o impacto social é profundo, pois os pacientes precisam de meses de recuperação, afetando toda a estrutura familiar.

Gestão de leitos e prioridades

O aumento no número de traumas tem gerado um efeito cascata na gestão da rede pública. O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Pinto, afirmou que os casos de trauma recebem prioridade nos atendimentos, o que acaba provocando o adiamento de procedimentos eletivos que estavam programados.

Para a equipe de saúde, a situação exige foco em prevenção e educação no trânsito. O coordenador Marcelo Pessoa reforça que o volume de lesões complexas exige uma mobilização constante de recursos para atender a demanda crescente de motociclistas feridos no estado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.