Anestesia exige monitoramento de funções vitais além do sono do paciente, alerta Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Guia da Sociedade Brasileira de Anestesiologia destaca importância da avaliação pré-operatória e da vigilância contínua durante cirurgias.
Por Davy Albuquerque
O procedimento de anestesia envolve o acompanhamento contínuo das funções vitais do paciente antes, durante e após uma operação, indo muito além do momento de adormecer para a cirurgia. A informação faz parte de um guia lançado pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) para orientar o público sobre a segurança e o funcionamento do processo.
O trabalho do médico anestesiologista inclui a responsabilidade de monitorar parâmetros como a pressão arterial, a frequência cardíaca, a respiração e a oxigenação. O profissional também acompanha o nível de consciência e a resposta do organismo aos medicamentos aplicados.
Segundo o presidente da SBA, Vicente Faraon Fonseca, o anestesiologista deve agir rapidamente diante de qualquer alteração detectada. Para a entidade, a anestesia moderna é baseada em tecnologia, planejamento e vigilância constante para garantir a segurança do paciente.
Como funciona a avaliação pré-operatória?
Uma das etapas mais importantes antes de qualquer procedimento é a avaliação pré-operatória. Durante a consulta, o paciente deve informar ao médico todas as suas condições de saúde e os itens que utiliza regularmente.
A SBA orienta que sejam relatadas doenças como hipertensão (pressão alta), diabetes e problemas cardíacos ou respiratórios. Também é fundamental comunicar o uso de medicamentos contínuos, suplementos alimentares, anabolizantes e o consumo de drogas ilícitas.
Esses dados permitem que a equipe médica escolha a técnica anestésica mais adequada para cada caso. O objetivo é reduzir o risco de complicações e garantir que o histórico do paciente seja considerado no planejamento cirúrgico.
Quais os riscos da sedação sem monitoramento?
O guia também faz alertas sobre a realização de sedação profunda. De acordo com a SBA, esse tipo de procedimento exige monitoramento permanente e a presença de um profissional dedicado exclusivamente ao acompanhamento do paciente.
O médico responsável pela anestesia não deve dividir sua atenção com a execução do procedimento principal. Segundo Fonseca, a sedação profunda exige capacidade de resposta imediata caso ocorram emergências durante o processo.
A entidade lembra ainda que o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a realização de sedação profunda e anestesia geral em consultórios. Essa proibição também se estende ao uso desses métodos para a realização de tatuagens.
O material publicado pela SBA também esclarece dúvidas comuns sobre o jejum necessário, a possibilidade de permanecer acordado durante cirurgias e os efeitos colaterais. O guia aborda ainda o processo de recuperação e os direitos dos pacientes durante o atendimento.
