Prática incorreta de lavagem nasal pode causar infecções no ouvido, alerta médica
Uso inadequado da técnica pode provocar dores de cabeça, sangramentos e até mastoidite, uma infecção bacteriana grave no ouvido
Por Davy Albuquerque
A prática da lavagem nasal, embora benéfica para a saúde ao remover poluentes e fluidificar o muco, pode causar problemas graves se for realizada de maneira inadequada. O procedimento incorreto pode resultar em dores de cabeça intensas, irritação, sangramentos e infecções de ouvido.
A médica Flávia Gomes, presidente da Associação de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial do Espírito Santo (Assorles), relatou um aumento no atendimento de pacientes que apresentam otite (inflamação ou infecção no ouvido) e até mastoidite (infecção bacteriana grave no ouvido) após o uso incorreto da técnica. Segundo a médica, a disseminação de informações erradas na internet também contribui para o problema.
Para evitar complicações, a lavagem nunca deve ser feita com o paciente deitado ou com a cabeça inclinada para trás. Nessas posições, o líquido pode ser direcionado do nariz para o ouvido médio, transportando catarro e bactérias, o que pode ocasionar sequelas auditivas.
Como fazer a lavagem nasal de forma segura?
A médica otorrinolaringologista Christiane Helmer orienta que a técnica deve ser feita, preferencialmente, com soro fisiológico ou soluções específicas para irrigação nasal. Para isso, o paciente deve inclinar levemente a cabeça para a frente, mantendo um dos lados mais elevado e a boca aberta.
A irrigação deve ser realizada na narina que estiver mais alta, permitindo que a solução entre por uma narina e saia pela outra, mas sem exercer força excessiva. Uma recomendação importante é apertar o frasco com apenas dois dedos para controlar a pressão do líquido.
Para quem é indicada a técnica?
A lavagem nasal pode ser indicada para diversas faixas etárias, de recém-nascidos a idosos, desde que a técnica seja adaptada a cada idade. De acordo com a médica otorrinolaringologista Fabiana de Sá Almeida, do Hospital Vitória Apart, pacientes alérgicos podem se beneficiar do uso diário.
A prática é recomendada para quem convive em regiões metropolitanas ou em locais de clima seco, além de pessoas com rinite alérgica, sinusite, gripes ou resfriados. O procedimento também é indicado para quem está em recuperação de cirurgias nasais ou apresenta sangramentos nasais.
No entanto, em crianças abaixo de 4 anos, é necessário cautela. Para essa faixa etária, o uso de garrafinhas é contraindicado, sendo os sprays fisiológicos os mais indicados para realizar o procedimento de forma segura.
