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Ciência

Atividade elétrica no cérebro pode conectar partes de um mesmo pensamento

Estudo da Universidade da Califórnia mostra que breves rajadas elétricas, chamadas de ondulações, permitem a sincronização de áreas distintas do cérebro.

Por Redação Diário Local

Breves rajadas de atividade elétrica, chamadas de "ondulações", podem ser as responsáveis por conectar partes distintas do cérebro para formar um único pensamento. A descoberta foi detalhada em um estudo da Universidade da Califórnia em San Diego, publicado na revista Nature Neuroscience, que sugere que esse fenômeno permite unir informações processadas em regiões diferentes do órgão.

As ondulações funcionam como explosões rítmicas extremamente curtas na excitabilidade dos neurônios. Segundo a pesquisa, esses disparos possuem uma frequência de aproximadamente 90 ciclos por segundo e têm duração de apenas um décimo de segundo.

O estudo foi liderado pelo cientista médico Ilya Verzhbinsky e pelo neurocientista Eric Halgren. Eles identificaram que essas oscilações permitem que células cerebrais localizadas em áreas distantes entrem no mesmo ritmo e disparem sinais de forma coordenada.

De acordo com os pesquisadores, quando duas áreas do cérebro entram em sincronia, as células têm entre 30% e 49% mais chances de realizar disparos conjuntos. A coordenação foi observada em regiões de ambos os hemisférios cerebrais, mesmo quando separadas por uma distância de até 220 mm.

Um ponto relevante da análise é que essa sincronização ocorre sem a necessidade de uma área específica atuar como um "maestro" para comandar os demais disparos. O processo parece ser uma característica intrínseca da atividade elétrica nessas janelas de tempo.

Durante os experimentos, que envolveram testes de memorização de imagens, a sinalização coordenada aumentou em até 19% quando três imagens eram apresentadas ao mesmo tempo. A repetição dos padrões de disparos foi capaz de acelerar o tempo de reconhecimento das imagens pelos pacientes.

Para obter os dados, a equipe analisou os registros elétricos de 35 pacientes com epilepsia grave e resistente ao tratamento. Os participantes já possuíam eletrodos implantados no cérebro para monitoramento médico, o que permitiu o registro preciso das atividades neurais durante os testes.

Quais são as limitações da pesquisa?

Apesar de ajudar a explicar como o cérebro combina informações armazenadas em uma única experiência, os cientistas pedem cautela na interpretação dos resultados. O estudo observou os sinais elétricos, mas ainda não comprovou uma relação direta de causa e efeito.

Os pesquisadores destacaram que a investigação foi restrita a um tipo específico de tarefa de memória e realizada em pacientes com eletrodos em locais muito específicos. Por essa razão, a equipe concluiu que é prematuro utilizar a descoberta como base para novos tratamentos médicos antes de realizar testes semelhantes em cérebros saudáveis.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.