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Saúde

Quase 90% dos casos de câncer de pulmão no SUS chegam em estágio avançado

Levantamento do Instituto Lado a Lado pela Vida mostra que 89,6% dos diagnósticos via SUS estão nos estágios 3 ou 4 da doença.

Por Redação Diário Local

Quase 90% dos casos de câncer de pulmão diagnosticados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegam aos pacientes em estágio avançado da doença. O dado é de um levantamento do Instituto Lado a Lado pela Vida, que analisou 14.145 registros de diagnósticos realizados em 2023.

Segundo o estudo, 89,6% dos casos com estadiamento informado estavam nos estágios 3 ou 4 do tumor. Apenas 10,4% dos pacientes descobriram a doença nas fases iniciais, correspondentes aos estágios 1 e 2, quando as chances de cura são maiores.

Por que o diagnóstico costuma demorar?

O oncologista Igor Morbeck afirma que a exposição a fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação, contribui para o cenário observado. Ele destaca que a doença é silenciosa e que os sintomas iniciais podem ser confundidos com quadros de tosse, falta de ar leve, asma ou gripe.

Essa confusão com sintomas secundários faz com que os pacientes adiem o diagnóstico. O médico também aponta a ausência de um programa de rastreamento para prevenção e diagnóstico precoce como um desafio, o que deixa a população vulnerável ao buscar serviços de saúde apenas quando os sintomas se manifestam.

Como medida preventiva, Igor Morbeck recomenda que pessoas com fatores de risco, como fumantes e ex-fumantes, realizem uma tomografia anual, procedimento que está disponível pelo SUS.

Estimativa de novos casos

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o Brasil terá 35.380 novos casos da doença por ano até 2028. Além do tabagismo, que é a principal causa, outros fatores como poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doenças pulmonares obstrutivas crônicas (como enfisema e bronquite), fatores genéticos e histórico familiar favorecem o desenvolvimento do câncer.

Após a confirmação patológica e o estadiamento por exames de imagem, o Inca orienta que é necessária uma avaliação com especialista para definir a extensão da doença e o tratamento indicado.

O tratamento exige o acompanhamento de um grupo multidisciplinar, que pode incluir oncologista, cirurgião torácico, pneumologista, enfermeiro, fisioterapeuta e nutricionista, entre outros profissionais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.