Morte de jornalista em Vitória levanta dúvidas sobre o que é e como agir em crises de convulsão
O corpo do jornalista Caíque Verli foi encontrado em Vitória nesta quinta-feira (23); especialista explica a diferença entre convulsão e epilepsia
Por Redação Diário Local
O corpo do jornalista Caíque Verli, de 33 anos, foi encontrado no apartamento onde morava, em Vitória (ES), nesta quinta-feira (23). O caso levantou questionamentos sobre crises convulsivas, uma vez que colegas de profissão relataram que o repórter realizava tratamento para episódios dessa natureza.
Apesar dos relatos, a Polícia Civil investiga as causas da morte. Até o momento, não há confirmação de que o óbito esteja relacionado à condição de saúde mencionada pelos colegas.
O jornalista foi localizado no imóvel por amigos, que acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar socorro.
O que é uma convulsão?
Uma crise convulsiva é um evento que consiste em uma alteração temporária da atividade elétrica do cérebro. O episódio pode causar movimentos involuntários, perda de consciência ou outros sintomas neurológicos.
Segundo o neurologista e especialista em epilepsia Jasson José Moscon Neto, uma convulsão pode ocorrer de forma isolada e não significa, necessariamente, que a pessoa tenha epilepsia. A epilepsia é definida pela predisposição do cérebro a apresentar crises recorrentes e não provocadas.
Diversas situações podem desencadear uma convulsão isolada. Entre elas estão febre alta em crianças, alterações metabólicas, intoxicações, lesões cerebrais agudas e abstinência alcoólica.
Outros fatores que podem estar relacionados ao surgimento de crises incluem predisposição genética, acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, tumores cerebrais e infecções no sistema nervoso central.
Como agir durante uma crise?
Ao presenciar uma convulsão, a principal recomendação é manter a calma e proteger a pessoa contra possíveis ferimentos. O ideal é afastar objetos próximos, afrouxar roupas apertadas e, se possível, apoiar a cabeça do paciente para evitar impactos contra o chão.
Não se deve tentar segurar os braços ou as pernas da pessoa durante o episódio. Os movimentos devem ocorrer livremente, sem tentativas de imobilização.
O especialista alerta que não se deve colocar objetos na boca da pessoa, tentar puxar a língua ou oferecer água, alimentos e medicamentos durante a convulsão. Tais medidas não interrompem a crise e podem causar lesões.
Após o término da crise, a pessoa deve ser colocada de lado. Essa posição facilita a respiração e reduz o risco de broncoaspiração.
Outro ponto importante é observar o horário de início da convulsão, pois essa informação auxilia a equipe médica durante o atendimento.
Quando buscar ajuda médica?
Toda primeira crise convulsiva deve ser investigada por um médico. O atendimento imediato é indispensável caso a crise dure mais de cinco minutos ou se houver crises repetidas sem a recuperação da consciência entre elas.
Também é necessário buscar socorro urgente se ocorrerem lesões durante o episódio. O diagnóstico da epilepsia é feito pela história clínica e descrição das crises, auxiliado por exames como eletroencefalograma e ressonância magnética.
Para reduzir o risco de novas crises, especialistas recomendam seguir corretamente o tratamento medicamentoso, manter rotina regular de sono, evitar o consumo excessivo de álcool e realizar acompanhamento periódico com um neurologista.
