Diário Local
Saúde

Costureira volta a trabalhar com prótese de impressão 3D personalizada em São José dos Campos

Beatriz de Jesus da Cunha Silva, de 64 anos, recebeu equipamento personalizado pelo SUS para recuperar a autonomia no trabalho e em casa

Por Davy Albuquerque

A costureira Beatriz de Jesus da Cunha Silva, de 64 anos, voltou a exercer sua profissão com o auxílio de uma prótese produzida por impressão 3D em São José dos Campos. O equipamento personalizado foi entregue como parte de uma iniciativa que utiliza tecnologia assistiva para ampliar o acesso da população via Sistema Único de Saúde (SUS).

A entrega faz parte do projeto “PET-Saúde: Informação e Saúde Digital”, do Ministério da Saúde, fruto de uma parceria entre a Prefeitura de São José dos Campos e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A iniciativa utiliza a impressão 3D para produzir próteses de membros superiores para pacientes da rede pública.

Beatriz teve o braço esquerdo amputado em decorrência de um sarcoma diagnosticado em 2007. Na época, a paciente enfrentou tratamentos de quimioterapia, cirurgia no pulmão e a perda do membro, o que impactou sua vida profissional e pessoal, levando-a a encerrar sua loja de costura na ocasião.

Por quase duas décadas, a costureira utilizou um equipamento antigo que apresentava limitações de peso e baixa mobilidade. Segundo ela, o modelo anterior era pesado e dificultava o uso por longos períodos, o que impedia o retorno definitivo às atividades de costura e limitava tarefas simples do cotidiano.

Como foi feita a nova prótese?

O processo de confecção deste equipamento foi pioneiro no programa, permitindo que a paciente participasse de todas as etapas de produção. O trabalho começou com o escaneamento digital do braço direito de Beatriz para que um software pudesse reproduzir o membro esquerdo de forma simétrica.

A partir das imagens, a prótese foi impressa em 3D de forma exclusiva e personalizada. Durante a elaboração, a paciente participou de testes de adaptação e resistência, além de definir a cor do material e opinar sobre a curvatura da mão e a posição dos dedos.

O novo modelo é mais leve e funcional, permitindo que a costureira consiga virar a mão para apoiar e movimentar o tecido durante o trabalho. Além disso, o equipamento é à prova d’água, possibilitando o uso em atividades como hidroginástica e em tarefas domésticas.

Impacto na rotina e autonomia

A tecnologia permitiu que Beatriz recuperasse a independência em atividades diárias, como carregar compras no mercado e realizar movimentos de precisão. O equipamento substitui o modelo desgastado que restringia a autonomia da paciente.

A entrega integra as ações da Unidade de Reabilitação Leste e da Unifesp no município. O objetivo do projeto é ampliar o acesso de mais cidadãos a tecnologias assistivas de alta precisão por meio da rede de saúde pública.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.