Medicamento brasileiro para obesidade chega ao mercado com preço 30% menor que concorrentes
Primeira caneta para tratamento da obesidade fabricada integralmente no país deve reduzir custos em 30% para pacientes.
Por Davy Albuquerque
Uma farmacêutica brasileira lançou no mercado, em junho deste ano, a primeira caneta para o tratamento da obesidade produzida integralmente no país. O medicamento deve ter um custo até 30% menor do que o praticado por outros fabricantes aprovados no Brasil, o que pode ampliar o acesso ao tratamento.
A versão nacional utiliza o princípio ativo semaglutida, que atua no aumento da saciedade e no estímulo à produção de insulina. O lançamento ocorre em um momento de alta demanda, visto que a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) aponta que 20% da população do estado de São Paulo apresenta quadro de obesidade.
De acordo com a Abeso, a incidência de obesidade no estado paulista é ligeiramente maior entre as mulheres do que entre os homens. A chegada de uma opção nacional busca atender a esse cenário de saúde pública com preços mais competitivos.
A produção do medicamento é realizada na planta industrial de Hortolândia, em São Paulo. Segundo Thaís Nania, diretora de marketing da EMS, a fabricação local confere uma matriz de preço mais atrativa que a observada no mercado, seguindo o movimento natural de queda de preços quando patentes expiram e a concorrência aumenta.
Quais os riscos e cuidados com o uso?
Apesar de serem considerados remédios revolucionários para a perda de peso e controle de doenças associadas, especialistas alertam para a necessidade de acompanhamento profissional. Márcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas, ressalta que as canetas só devem ser comercializadas mediante receita médica.
O médico também faz um alerta contra a compra de produtos sem procedência, como canetas falsificadas, manipuladas ou contrabandeadas do Paraguai, frequentemente oferecidas na internet. O uso de medicamentos fora de farmácias confiáveis coloca a segurança do paciente em risco direto.
Sobre os efeitos colaterais, Mancini explica que náuseas e vômitos são os sintomas mais comuns. Em casos menos frequentes, o uso pode estar associado ao surgimento de cálculos na vesícula biliar e, raramente, à pancreatite.
Histórico de medicamentos no Brasil
A semaglutida foi o primeiro medicamento desse tipo aprovado e comercializado no Brasil para o combate à obesidade, em 2024. Já em 2025, o mercado recebeu a tirzepatida, uma nova geração de medicamento que atua sobre dois hormônios responsáveis pelo controle da fome.
