Gripe causa 38 mortes no Distrito Federal em 2026 e não há previsão para ampliar vacinação
Secretaria de Saúde do Distrito Federal registrou 4.115 casos de síndrome respiratória aguda grave até julho; imunizante é para grupos de risco.
Por Davy Albuquerque
A gripe causou 38 mortes relacionadas à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Distrito Federal apenas em 2026, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Até julho do ano corrente, foram registrados 4.115 casos da síndrome na capital federal.
Todas as mortes ocasionadas pelo vírus da influenza (gripe) ocorreram em pessoas acima dos 10 anos de idade. Esse grupo está excluído do atual cronograma de vacinação, que foca exclusivamente em públicos de risco, como crianças de seis meses a 5 anos, gestantes, idosos e profissionais de saúde.
Por que a vacinação não foi ampliada?
A Secretaria de Saúde informou que não há previsão para estender a imunização para a população geral. A decisão de manter a vacinação restrita aos grupos prioritários segue orientações do Ministério da Saúde, motivada pela baixa cobertura vacinal nacional e pela necessidade de controle dos estoques de doses.
Segundo a pasta, a cobertura vacinal entre o público-alvo no Distrito Federal é de 46,3%, valor abaixo da meta de 90% definida para proteger cerca de 1,1 milhão de pessoas. A diferença significa que aproximadamente 344 mil pessoas do grupo prioritário ainda não foram imunizadas, o que exige que a SES-DF contingencie as doses para garantir o atendimento ao longo do ano.
Para tentar elevar os índices, a Secretaria tem aberto salas de vacina aos sábados e realizado ações em escolas e outros locais externos. Além disso, gestantes podem receber a vacina contra a gripe de forma combinada com a dose contra o vírus sincicial respiratório (VSR).
Impacto na transmissão do vírus
A concentração de casos de Síndrome Gripal no Distrito Federal este ano ocorreu, majoritariamente, entre o público de 20 a 29 anos, conforme os dados epidemiológicos. A infectologista e professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Eveline Vale, explica que a restrição da vacina a grupos de risco protege esses indivíduos, mas não interrompe a circulação do vírus.
De acordo com a especialista, a disseminação da influenza acontece principalmente por meio de pessoas jovens e saudáveis, que possuem maior interação social e podem transmitir o vírus mesmo antes de apresentarem sintomas. A vacinação desse grupo ajudaria a reduzir o vírus circulante e a proteger a população mais vulnerável.
Atualmente, o estoque de imunizantes na rede de saúde do Distrito Federal conta com cerca de 208 mil doses, distribuídas entre a gerência de rede de frio e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais e núcleos de vigilância.
