Nutricionista alerta para riscos sanitários e metabólicos no uso de canetas emagrecedoras
Uso de medicamentos como semaglutida exige acompanhamento para evitar perda de massa muscular e reganho de peso, afirma nutricionista.
Por Davy Albuquerque
O uso de canetas emagrecedoras, como as de semaglutida e tirzepatida, exige cautela devido aos riscos sanitários e metabólicos envolvidos. Segundo a nutricionista Ana Clara Custódio, especialista em emagrecimento e composição corporal, o medicamento não deve ser tratado como um produto de prateleira, mas sim como um suporte para quem apresenta resistência ao processo de perda de peso.
A especialista ressalta que o maior problema imediato é o risco de contaminação ou perda de eficácia de produtos que circulam fora dos canais oficiais. Sem a refrigeração específica necessária para essas substâncias, não há garantia de que o que está no rótulo seja o que o paciente está ingerindo.
A nutricionista também destaca que a medicação funciona através de um mecanismo hormonal que aumenta a saciedade e lentifica o esvaziamento gástrico. É essa restrição calórica induzida que promove a perda de peso, e não a substância de forma isolada.
Quais os riscos da automedicação?
Um dos principais perigos apontados por Ana Clara Custódio é a falta de controle sobre a composição corporal durante o uso. Sem acompanhamento, o paciente pode perder massa muscular em vez de gordura, o que gera uma piora metabólica significativa.
Essa perda inadequada de tecido muscular pode comprometer a saúde do indivíduo e aumentar as chances de reganho de peso logo após o desmame da medicação. O objetivo do tratamento, que deveria ser a melhora do metabolismo, acaba sendo prejudicado pela falta de orientação profissional.
Além disso, a automedicação impede que se verifique se os benefícios pretendidos estão sendo alcançados de forma saudável, podendo levar a desfechos clínicos negativos em vez da recuperação da saúde.
Como evitar o reganho de peso?
Para que o emagrecimento seja sustentável, a nutricionista defende que o medicamento deve atuar como um "trampolim" para a mudança de estilo de vida. O tratamento medicamentoso não substitui pilares fundamentais como dieta adequada, treinos de força, exercícios aeróbicos, hidratação e sono de qualidade.
A chance de recuperar o peso perdido é alta caso o paciente não implemente mudanças comportamentais inegociáveis. O foco deve ser a transição de uma motivação estética temporária para uma mudança de mentalidade voltada à longevidade e à funcionalidade do corpo.
A especialista afirma que o sucesso do processo depende da construção de hábitos que se tornem automáticos, permitindo que o corpo responda positivamente às novas escolhas diárias, transformando a saúde em um valor central de vida.
