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Saúde

Ministério da Saúde busca reduzir custo de medicamentos para obesidade e incluir no SUS

Governo aposta em produção nacional e chegada de genéricos para tentar viabilizar o uso de fármacos como semaglutida na rede pública.

Por Davy Albuquerque

O Ministério da Saúde trabalha para viabilizar a oferta de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 no Sistema Único de Saúde (SUS). A principal estratégia para reduzir o custo da terapia é o incentivo à produção nacional e a chegada de versões genéricas ao mercado.

Para acelerar o processo, a pasta solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prioridade na análise dos registros de medicamentos com os princípios ativos semaglutida e liraglutida. Os fármacos são utilizados no tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2.

A expectativa do governo é que o aumento da concorrência com a entrada de genéricos reduza significativamente os preços, tornando a incorporação sustentável para a rede pública.

Por que a incorporação ainda não ocorreu?

A discussão sobre a oferta desses medicamentos no SUS passa por critérios de sustentabilidade financeira. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) emitiu um parecer desfavorável à medida, citando um impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões.

Atualmente, uma nova solicitação referente à semaglutida já está em fase de análise. O objetivo é reavaliar os benefícios clínicos e o impacto financeiro para decidir sobre a disponibilidade para a população.

Projeto-piloto no Rio Grande do Sul

Enquanto aguarda as novas avaliações, o Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS). O estudo acompanha aproximadamente 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças.

Os pacientes, que são candidatos à cirurgia bariátrica, passam por acompanhamento de uma equipe multiprofissional. O objetivo é avaliar a adaptação do tratamento à realidade do SUS, incluindo aspectos de segurança, resultados clínicos e custos.

Benefícios e desafios do tratamento

Os medicamentos da classe GLP-1 promovem perda de peso e melhoram o controle da glicemia. Estudos apontam que a terapia também pode reduzir o risco cardiovascular em parte dos pacientes.

O desafio para a implementação na rede pública reside na capacidade de oferecer o tratamento de forma planejada para um grande número de usuários. Especialistas indicam que a incorporação deve ser gradual, com critérios clínicos claros e acompanhamento profissional, integrando-se a políticas de prevenção e mudança de estilo de vida.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.