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Saúde

Coexistência de TDAH e autismo pode dificultar diagnóstico em adultos

Presença de TDAH e autismo simultâneos, condição chamada de dupla neurodivergência, pode levar ao reconhecimento tardio do transtorno.

Por Davy Albuquerque

Adultos diagnosticados com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) podem descobrir, posteriormente, que também apresentam características do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A coexistência das duas condições é chamada de dupla neurodivergência e pode dificultar o reconhecimento do autismo.

Especialistas apontam que o diagnóstico tardio de autismo é comum entre adultos. Em muitos casos, os sinais que deveriam ter sido identificados durante a infância passaram despercebidos ou foram interpretados incorretamente por médicos e familiares.

Essa confusão ocorre porque comportamentos relacionados à comunicação social e à sensibilidade sensorial podem ser confundidos com traços de personalidade, quadros de ansiedade ou outras condições do neurodesenvolvimento. Além disso, o próprio TDAH pode fazer com que os sinais do TEA sejam atribuídos apenas ao primeiro transtorno.

Outro fator que contribui para a demora na identificação são as estratégias de adaptação social. Muitas pessoas desenvolvem mecanismos ao longo da vida para mascarar características do autismo e se adequar ao ambiente, o que pode ocultar o transtorno por décadas.

Por que o diagnóstico de dupla neurodivergência é desafiador?

O desafio reside na sobreposição de sintomas entre o TDAH e o TEA. Embora algumas características possam parecer semelhantes, as duas condições possuem naturezas distintas que exigem olhares clínicos específicos.

A identificação correta de ambas as condições é fundamental para o direcionamento do tratamento. O reconhecimento da dupla neurodivergência permite que o acompanhamento clínico e as terapias sejam adaptados às necessidades reais de cada indivíduo.

Qual a importância de descobrir o autismo na vida adulta?

Embora o diagnóstico na fase adulta não altere a condição neurológica da pessoa, ele é essencial para a compreensão das experiências de vida. O diagnóstico ajuda o indivíduo a entender seu próprio funcionamento e facilita o acesso a suportes adequados.

Com o diagnóstico em mãos, torna-se possível organizar intervenções mais precisas e estratégias de suporte que melhorem a qualidade de vida. O entendimento do histórico de desenvolvimento permite uma visão mais clara sobre as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos.

Para garantir a precisão, a avaliação deve ser realizada por profissionais habilitados. O processo de diagnóstico deve considerar obrigatoriamente o histórico de desenvolvimento, o padrão de comportamento e outros aspectos clínicos relevantes.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.