Especialista da USP critica fala de governadora sobre laqueadura sem consentimento
Ginecologista afirma que declaração sobre esterilização sem consentimento desrespeita o direito de escolha da mulher e prejudica a imagem do SUS.
Por Redação Diário Local
Uma especialista em saúde da mulher criticou declarações da governadora Raquel Lyra sobre a realização de laqueadura sem o consentimento da paciente. A médica ginecologista e obstetra Rossana Francisco, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o comentário desrespeita o direito de escolha de cada mulher.
A declaração da governadora ocorreu durante uma visita ao Hospital Don Malan, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Em vídeo, Raquel Lyra utilizou a frase "faz sem ela saber" ao se referir a uma esterilização para uma mulher na oitava gravidez. O episódio gerou reações de diversos grupos e a própria governadora pediu desculpas pelo ocorrido.
O que diz a especialista?
Para a professora Rossana Francisco, a fala é prejudicial tanto para a imagem do SUS quanto para a gestão dos governos. Segundo a médica, o comentário ignora a autonomia feminina e coloca a laqueadura como se fosse o único método de controle de natalidade disponível.
A especialista pontuou que o que tem sido observado é um pouco de interesse por parte dos governos em tratar de questões específicas da saúde da mulher. Ela reforçou que a decisão sobre o procedimento deve partir da paciente e não da equipe médica.
Sobre a laqueadura
A médica explicou que a laqueadura, também conhecida como ligação de trompas, é um método cirúrgico considerado definitivo. Por ser um procedimento dessa natureza, a reversão após a realização é de difícil execução.
Rossana Francisco destacou que o fato de uma mulher já ter tido diversos filhos não deve ser utilizado como parâmetro para que médicos decidam pela sua esterilização. Ela enfatizou a necessidade de informar as pacientes sobre a existência de outros métodos contraceptivos.
Recomendações para o período eleitoral
Diante do debate sobre decisões reprodutivas, a ginecologista deixou um alerta para as mulheres. Ela recomendou atenção especial às propostas de candidatos durante os períodos eleitorais.
A orientação é que as cidadãs analisem se os planos de governo mencionam de forma clara a saúde da mulher e as estratégias para a redução da mortalidade materna.
