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Saúde

Uso de telas por crianças depende mais do estresse dos pais do que do comportamento dos filhos

Pesquisa indica que a decisão de oferecer dispositivos digitais para controlar o comportamento infantil está ligada à capacidade do adulto de lidar com o estresse.

Por Redação Diário Local

A decisão de pais e responsáveis de utilizarem dispositivos digitais, como tablets e smartphones, para controlar o comportamento de crianças está mais relacionada ao nível de estresse dos adultos do que ao comportamento dos próprios filhos. A conclusão é fruto de uma pesquisa da Florida International University (FIU), realizada em 2025.

O estudo investigou a relação entre o estresse parental e as chamadas estratégias parentais relacionadas às mídias de tela. Os pesquisadores realizaram uma consulta nacional com 822 pais de crianças entre 4 e 8 anos para avaliar como o uso de tecnologia é administrado no cotidiano familiar.

A investigação analisou três tipos distintos de estresse parental. O primeiro é o estresse que os pais sentem por motivos e experiências pessoais; o segundo refere-se ao estresse relacionado à relação direta com o filho; e o terceiro é o provocado pelo comportamento desafiador da criança.

Os resultados indicam que pais com níveis elevados de estresse por questões pessoais estabelecem menos limites para o uso de telas, independentemente de como os filhos se comportam. Nesses casos, a dificuldade de lidar com a própria rotina e exaustão impacta a disciplina digital.

Já os responsáveis que sentem estresse devido ao temperamento ou ao comportamento difícil dos filhos têm uma probabilidade maior de entregar um dispositivo para evitar conflitos. O uso da tela surge, nesse contexto, como uma ferramenta para tentar controlar ou silenciar o comportamento infantil.

A análise demonstrou que o fator determinante não é apenas a conduta da criança, mas o quanto o responsável percebe que é difícil administrar aquela situação específica. O impacto emocional do adulto sobre a gestão do tempo de tela se manteve como um padrão relevante mesmo após o ajuste pelos comportamentos reais das crianças.

Por que o estresse parental é um tema de saúde pública?

O manejo do tempo de tela já é um desafio estrutural para as famílias. Em 2020, uma pesquisa nacional revelou que cerca de 70% dos pais consideram a administração de tecnologia e redes sociais uma das principais fontes de estresse na criação dos filhos.

A gravidade do tema levou o cirurgião-geral dos Estados Unidos a classificar o estresse parental como uma questão de saúde pública em 2024. O objetivo é mobilizar profissionais e formuladores de políticas públicas para apoiar as famílias na manutenção de ambientes saudáveis.

Atualmente, o uso de mídias é parte integral da infância. Nos Estados Unidos, quase todas as crianças utilizam telas diariamente, e 42% das crianças entre 2 e 4 anos já possuem seu próprio tablet.

A American Pediatric Association (APA) oferece recomendações específicas para mitigar riscos. A organização orienta que crianças de 18 meses a 2 anos não usem mídias sozinhas, e que o uso para crianças de 2 a 5 anos seja limitado a menos de uma hora por dia.

Como organizar a rotina de uso de telas em casa?

Para evitar decisões tomadas sob pressão ou cansaço, especialistas sugerem a criação de um plano familiar de uso de mídias. A ideia é estabelecer regras em períodos de tranquilidade, em vez de reagir a crises no momento em que elas ocorrem.

Uma estratégia possível é a definição de espaços e horários obrigatórios sem telas. Entre as sugestões estão a proibição do uso de dispositivos durante as refeições e o período que antecede o sono das crianças.

Além dos horários, os responsáveis podem limitar quais aplicativos e programas on-line os filhos têm permissão para acessar. O controle deve focar tanto na duração quanto na qualidade do conteúdo consumido.

Especialistas recomendam que as crianças participem da elaboração desse plano familiar. Envolver os filhos no processo de criação das regras pode facilitar a adesão ao combinado e promover um ambiente de maior previsibilidade e bem-estar para toda a família.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.