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Saúde

Anvisa investiga 13 casos de suspeita de perda de visão após uso de canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária apura 13 notificações de neuropatia óptica isquêmica em usuários de medicamentos como Ozempic e Wegovy.

Por Redação Diário Local

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em usuários de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. A condição é considerada rara e pode provocar a perda permanente da visão.

Os registros de farmacovigilância da agência incluem pacientes que utilizavam medicamentos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, indicados para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. A Anvisa ressalta que a presença simultânea do medicamento e da doença não significa que haja uma relação comprovada de causa e efeito, e os casos continuam sob investigação para identificar possíveis padrões.

O que é a Noia e como ela afeta a visão?

A Noia afeta o nervo óptico, que é a estrutura responsável por levar as informações visuais dos olhos ao cérebro. O problema ocorre quando há uma redução do fluxo sanguíneo para os pequenos vasos que irrigam o nervo, o que provoca a morte de parte das células nervosas.

A alteração visual pode surgir de maneira repentina e, em muitos casos, ocorre sem a presença de dor. De acordo com a Anvisa, a possibilidade da ocorrência dessa condição já é considerada na bula dos medicamentos à base de semaglutida desde junho de 2025, quando a agência determinou a inclusão da Noia como uma reação adversa muito rara.

Detalhamento das notificações

Segundo os registros da Anvisa, as 13 notificações relacionadas aos agonistas de GLP-1 estão distribuídas entre diferentes produtos: cinco associadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. A agência alerta que uma única notificação pode envolver mais de um medicamento.

Desde 2018, o sistema de farmacovigilância da agência reúne 24 notificações de suspeita de Noia de diferentes classes de medicamentos, das quais os 13 registros envolvendo agonistas de GLP-1 fazem parte do conjunto total de casos investigados.

O que dizem os estudos e as fabricantes?

Até o momento, não há um estudo que estabeleça uma relação definitiva de causa e efeito entre as canetas e a doença. Uma pesquisa publicada na revista JAMA Ophthalmology analisou mais de 1,6 mil prontuários e encontrou uma associação entre o uso de semaglutida e um risco de Noia entre quatro e sete vezes maior do que em outros medicamentos.

No entanto, os próprios pesquisadores apontaram limitações para concluir a causalidade, uma vez que muitos pacientes já apresentavam condições como o diabetes, que também pode aumentar o risco de problemas vasculares e oftalmológicos. A fabricante da semaglutida, Novo Nordisk, informou que a análise de seus ensaios clínicos não identificou aumento de casos de Noia entre usuários, mas que segue acompanhando os dados de segurança.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, também declarou que monitora os dados de segurança e possíveis eventos oftalmológicos relacionados aos seus medicamentos. Diante de sintomas como visão turva, perda repentina da visão ou piora rápida da capacidade visual, a Anvisa orienta que os pacientes procurem atendimento médico imediato.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.