Uso excessivo de telas nas férias pode prejudicar o sono e o desenvolvimento de crianças
Especialistas alertam que o uso de celulares e tablets pode substituir atividades essenciais e interferir na produção de melatonina.
Por Davy Albuquerque
O aumento do tempo livre durante as férias escolares tem elevado a exposição de crianças e adolescentes a celulares, tablets e televisões. Especialistas alertam que o uso excessivo desses dispositivos pode impactar a saúde, especialmente quando substitui o sono, a atividade física e a interação social.
Uma meta-análise publicada no American Journal of Health Promotion indica que crianças com maior exposição a smartphones e tablets apresentam maior probabilidade de dormir menos, ter pior qualidade de sono e praticar menos atividades físicas.
Como a luz das telas afeta o sono?
A luz azul emitida por celulares, tablets e computadores interfere na produção de melatonina, o hormônio responsável por preparar o organismo para o repouso. Além do fator biológico, o conteúdo consumido também desempenha um papel relevante.
Jogos eletrônicos e vídeos curtos podem manter o cérebro em estado de alerta, o que dificulta o relaxamento e torna o início do sono mais demorado. Para mitigar o problema, a pediatra Lucila Faria, do Hospital Sírio-Libanês, recomenda que os dispositivos sejam desligados pelo menos uma hora antes de dormir. Em casos de maior dificuldade para pegar no sono, esse intervalo pode chegar a duas horas.
Quais são os limites recomendados pela pediatria?
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece diretrizes específicas para o uso de tecnologia conforme a faixa etária. Para crianças menores de dois anos, a recomendação é de zero exposição às telas.
Para a faixa entre 2 e 5 anos, o limite é de até uma hora diária. Entre 6 e 10 anos, o tempo recomendado é de até duas horas, enquanto para jovens de 11 a 18 anos, o total deve ser de até três horas por dia, sempre com supervisão de responsáveis e foco em conteúdos adequados.
A SBP também orienta evitar o uso de dispositivos durante as refeições e no período que antecede o horário de descanso.
Quais são os riscos para o desenvolvimento?
Além das alterações no sono, o tempo excessivo diante das telas pode reduzir o período dedicado a brincadeiras e esportes, favorecendo o sedentarismo, o ganho de peso e problemas posturais. A redução do movimento também pode prejudicar o desenvolvimento motor e emocional.
No comportamento, o uso descontrolado pode estar associado a sintomas como irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração. Especialistas sugerem que, para evitar conflitos, os responsáveis organizem a rotina em blocos, reservando momentos específicos para a tecnologia e garantindo períodos para atividades ao ar livre e convívio social.
