Presidência da COP30 lança roteiro para reduzir dependência de combustíveis fósseis
Documento de 182 páginas propõe que países avaliem dependência de petróleo e gás, mas não estabelece metas ou prazos formais
Por Redação Diário Local
A presidência brasileira da COP30 apresentou nesta terça-feira (3) um documento de 182 páginas que propõe um roteiro para reduzir a dependência mundial de combustíveis fósseis. O mapa do caminho sugere que cada país avalie o uso de petróleo, gás e carvão e adote medidas para diminuir essa dependência, embora o texto não estabeleça metas nem prazos obrigatórios.
O lançamento ocorreu em Brasília, em entrevista a jornalistas na Casa ONU, com a participação de André Corrêa do Lago, presidente da COP30, Ana Toni, CEO da conferência, João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente, e a ex-ministra Marina Silva. Segundo Corrêa do Lago, o documento é um instrumento inédito, pois propõe um debate por iniciativa da presidência que não foi incluído nas negociações oficiais.
Como funciona o plano para a transição
O documento fundamenta-se na premissa de que a transição energética é urgente e inevitável. Ele é estruturado em três pilares: demanda de energia, oferta de energia e dependência econômica dos combustíveis fósseis. Para medir a capacidade de cada nação em enfrentar o problema, foi criado o Índice de Prontidão de Belém.
A proposta prevê uma agenda coletiva denominada "TAFF Mutirão", com ações distribuídas até 2033. No período até 2028, o foco é a elaboração de planos nacionais, reforma de subsídios e redução das emissões de metano. De 2029 a 2030, as ações devem focar em eletrificação e eficiência energética, enquanto o período de 2031 a 2033 deve concentrar o ajuste na oferta de combustíveis fósseis.
O documento também destaca que o setor de petróleo e gás tem potencial para reduzir cerca de 75% das emissões de metano utilizando tecnologias que já estão disponíveis no mercado.
Desafios e financiamento florestal
Além da energia, a presidência apresentou um segundo documento focado no combate ao desmatamento até 2030. O mapa detalha ações nacionais, arquitetura internacional e financiamento, tendo recebido mais de 180 contribuições.
Sobre o financiamento, o texto estima que a necessidade de recursos para proteger florestas supere US$ 300 bilhões anuais até 2030. Em 2023, o investimento mundial em florestas foi de US$ 84,5 bilhões, sendo que quase 90% desses valores vieram de orçamentos públicos.
Os documentos serão levados para discussão na COP31, que ocorrerá na Turquia. O roteiro sobre combustíveis fósseis será apresentado no dia 10 de novembro (10), enquanto o documento sobre florestas será apresentado nesta segunda-feira (9) (9).
