MS pede ajuda ao Paraná para realizar cirurgias cardíacas em crianças após suspensão na Santa Casa
Governo de Mato Grosso do Sul solicitou apoio ao Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, devido à interrupção de procedimentos na Santa Casa de Campo Grande.
Por Redação Diário Local
O Governo de Mato Grosso do Sul solicitou ajuda ao estado do Paraná para o atendimento de crianças que necessitam de cirurgias cardíacas, após a suspensão dos procedimentos na Santa Casa de Campo Grande. O pedido de apoio foi encaminhado na quinta-feira (4) à Secretaria de Saúde paranaense, indicando o Hospital Infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba, como alternativa para receber os pacientes.
A interrupção dos serviços na unidade sul-mato-grossense ocorreu em 11 de setembro, após o desligamento da equipe médica responsável pelas cirurgias pediátricas. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) acompanha o caso por meio de um inquérito civil e identificou uma lista com 40 pacientes vinculados ao serviço especializado.
Apesar da solicitação de apoio feita pelo governo estadual, documentos reunidos pelo Ministério Público indicam que ainda não há confirmação de que crianças tenham sido efetivamente transferidas ou submetidas a cirurgias no hospital paranaense. Em documento enviado ao MPMS em 30 de setembro (quarta), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que ainda não havia formalizado convênio, contrato ou qualquer instrumento de cooperação com o Paraná ou com o Hospital Pequeno Príncipe.
A SES afirmou que realizou um pedido de apoio excepcional e temporário diante da interrupção dos procedimentos na Santa Casa. A estratégia prevista pela pasta envolve o atendimento clínico, a estabilização dos pacientes e a posterior transferência regulada para hospitais habilitados, de acordo com a necessidade de cada caso.
Sobre a continuidade da assistência, a Secretaria de Estado de Saúde comunicou oficialmente à Prefeitura de Campo Grande a necessidade de viabilizar uma nova equipe de cirurgia cardíaca pediátrica, inclusive de origem privada. Segundo a pasta, o credenciamento de novos profissionais para a retomada dos procedimentos depende de providências do município.
Contexto da paralisação
A suspensão formal do serviço na Santa Casa de Campo Grande aconteceu em 11 de setembro, decorrente do desligamento da equipe técnica. De acordo com a documentação do Ministério Público, os profissionais haviam solicitado a rescisão contratual em 31 de julho e o desligamento foi efetivado em 31 de agosto.
Informações apuradas indicam que, há pelo menos um ano, o serviço já operava de forma limitada, atendendo apenas casos de urgência. Entre os problemas apontados pela Santa Casa para justificar as dificuldades estavam o fornecimento irregular de materiais, insumos e próteses, além da baixa disponibilidade de leitos de UTI pediátrica.
A unidade também relatou enfrentar problemas com a falta de profissionais especializados e impasses financeiros envolvendo pagamentos e reajustes. A 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande segue acompanhando o caso para cobrar esclarecimentos sobre a assistência às crianças e o número exato de pacientes que aguardam na fila.
