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Ciência

Estudo aponta que regiões do cérebro humano têm origens distintas no desenvolvimento

Pesquisa da Universidade Stanford revela que regiões responsáveis por funções básicas e complexas surgem de grupos de células diferentes.

Por Redação Diário Local

O cérebro humano pode ter origens diferentes para suas principais regiões, contrariando a ideia de que todo o órgão surge de uma única célula progenitora. Um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, indica que as áreas cerebrais se formam a partir de dois grupos distintos de células ainda nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário.

A pesquisa, publicada nesta sexta-feira (18) na revista Nature Neuroscience, demonstra que a parte anterior do cérebro e a região posterior seguem trajetórias independentes desde o início da formação. De acordo com os pesquisadores, isso significa que estruturas responsáveis por funções básicas e aquelas ligadas ao pensamento complexo possuem origens diferentes, apesar de atuarem de forma integrada no organismo.

Como o cérebro se divide?

O cérebro adulto é composto por três regiões principais com funções específicas. O prosencéfalo está associado a processos como linguagem, consciência e raciocínio. Já o mesencéfalo atua na integração de informações sensoriais e no controle de movimentos.

A terceira região, o rombencéfalo, localiza-se na parte posterior e controla atividades automáticas vitais, como o sono, os batimentos cardíacos e a respiração. Ao analisar embriões em estágio inicial, a equipe identificou que um grupo de células é responsável pelo prosencéfalo e pelo mesencéfalo, enquanto outro grupo distinto dá origem ao rombencéfalo.

As células seguem caminhos separados e não se misturam durante o desenvolvimento. Os pesquisadores observaram, inclusive, diferenças na organização do DNA em cada grupo, o que direciona o destino de cada célula.

O que muda para a ciência?

A descoberta ajuda a explicar dificuldades anteriores em produzir certos tipos de neurônios em ambiente laboratorial. Tentativas passadas de transformar um tipo de célula em outro podem não ser viáveis devido a essa separação de origens. Com o novo entendimento, os cientistas conseguiram gerar neurônios do rombencéfalo a partir de células-tronco humanas, que apresentaram atividade elétrica e produção de proteínas semelhantes às do organismo.

Esse avanço pode facilitar o estudo de doenças neurológicas graves que afetam a região posterior, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a atrofia muscular espinhal. Como o rombencéfalo controla funções essenciais, falhas nesses neurônios podem causar perda da capacidade de respirar ou de engolir.

A equipe também constatou que o mesmo padrão de duas origens para o sistema nervoso é encontrado em outras espécies, como peixes e aves, sugerindo que essa integração de sistemas distintos é um processo evolutivo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.