Temperaturas altas e El Niño explicam aumento de pernilongos no Rio durante o inverno
Clima quente e irregularidade nas chuvas favorecem a reprodução do mosquito Culex em bairros da Zona Sul e Zona Norte.
Por Redação Diário Local
O aumento da presença de pernilongos em diversos bairros do Rio de Janeiro, mesmo durante o período de inverno, está sendo associado a temperaturas acima da média e às condições climáticas influenciadas pelo El Niño. O fenômeno tem favorecido a reprodução do mosquito Culex, o pernilongo comum, em regiões da Zona Sul e da Zona Norte.
Moradores de áreas como Copacabana, Laranjeiras, Flamengo, Horto, Tijuca, Maracanã e Grajaú relatam dificuldades para lidar com a infestação. Em Copacabana, o incômodo é intenso em residências e comércios, levando moradores a utilizarem repelentes, inseticidas e raquetes elétricas para tentar afastar os insetos.
A situação é descrita como incomum devido à estação do ano. Residentes de Copacabana afirmam que, mesmo em meio a frentes frias, a quantidade de insetos permanece alta, com relatos de marcas de picadas e necessidade de troca constante de roupas de cama devido ao desconforto causado pelos ataques noturnos.
Por que os pernilongos aumentaram no inverno?
De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, o inverno costuma ser mais frio e seco, o que normalmente dificulta a multiplicação dos insetos. No entanto, as temperaturas elevadas e a distribuição irregular de chuvas deste ano criaram condições favoráveis para a proliferação da espécie.
A superintendente de Vigilância em Saúde, Gislani Mateus, explicou que o período tem apresentado características de veranicos, o que acelera a ecologia do pernilongo. Segundo a especialista, quanto mais quente o ambiente, mais rápido ocorre a reprodução do inseto.
Diferente do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água limpa, o Culex prefere locais com concentração de matéria orgânica. Isso inclui fossas, ralos, bueiros e esgoto, o que faz com que o mosquito tenha hábitos noturnos e se desenvolva em áreas de difícil acesso.
O entomólogo Arlindo Serpa Filho, pesquisador colaborador do Instituto Oswaldo Cruz, reforça que o frio oscilante da cidade não tem interrompido o ciclo de vida do inseto. Ele destaca que o mosquito pode se desenvolver em ambientes escuros, como poços de elevadores e áreas de garagem.
Como funciona o controle da espécie?
A Secretaria municipal de Saúde informou que as ações de prevenção do Sistema Único de Saúde (SUS) focam exclusivamente em espécies que transmitem doenças de relevância para a saúde pública, como o Aedes aegypti. Por esse motivo, não há uma estratégia específica de controle para o pernilongo comum.
Sobre o uso do "fumacê", técnica de nebulização, a superintendência esclareceu que o método é uma medida de contenção para o Aedes aegypti durante surtos ou epidemias de dengue, zika e chikungunya. O procedimento não é uma ferramenta de prevenção e serve apenas para eliminar mosquitos adultos.
A prefeitura alerta ainda que o uso do fumacê pode causar desequilíbrio ambiental. Além de não atingir as larvas, a técnica pode eliminar predadores naturais dos mosquitos, como mariposas, e afastar aves da região.
Em alguns condomínios, moradores recorreram a empresas particulares para realizar o combate. Em áreas da Tijuca, relatos indicam que a situação pode ter sido agravada por obras em terrenos vizinhos, enquanto em outras regiões, moradores associam o aumento do contingente ao acúmulo de lixo nas ruas.
Para conter o problema, especialistas recomendam que a população investigue possíveis criadouros em residências e condomínios. A orientação é que o combate ocorra em duas frentes: a eliminação de locais onde os mosquitos imaturos se desenvolvem e o controle dos indivíduos adultos.
