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Saúde

Estudo aponta que predisposição genética acelera sintomas de depressão em jovens

Pesquisa com estudantes de escolas públicas mostra que maior risco genético está ligado a sintomas mais fortes e rápidos durante a adolescência.

Por Redação Diário Local

Crianças e jovens com maior predisposição genética à depressão costumam apresentar sintomas mais intensos e uma evolução mais rápida da doença durante a adolescência. A descoberta é resultado de um estudo conduzido por pesquisadores de instituições públicas de ensino e saúde.

A pesquisa envolveu a participação de estudantes de escolas públicas com idades entre 6 e 23 anos. O acompanhamento dos jovens ocorreu em São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), integrando um monitoramento de longo prazo sobre o desenvolvimento do cérebro.

O estudo investigou o chamado "risco poligênico", que consiste em uma combinação de alterações genéticas que aumentam as chances de desenvolver o Transtorno Depressivo Maior. Foram analisados mais de 2 mil participantes durante a infância e o início da vida adulta.

Os achados, publicados no periódico Biological Psychiatry, revelam que a genética não apenas define um ponto de partida para o transtorno. Ela também parece moldar a forma como os sintomas se intensificam à medida que o jovem cresce.

Entre as pessoas que já apresentam o Transtorno Depressivo Maior, a predisposição genética mais alta também foi associada a uma frequência maior de episódios de autolesão não suicida. O estudo buscou entender como essas variações impactam o quadro clínico prático.

Por que a genética influencia a depressão?

A depressão é uma condição multifatorial, influenciada por uma mistura de componentes genéticos e ambientais. Fatores do contexto social, como dificuldades socioeconômicas, bullying e ambientes familiares conflituosos, exercem papel importante no desenvolvimento da doença.

No entanto, a ciência estima que cerca de 37% das variações da depressão em termos populacionais estejam relacionadas à genética. Esse número representa uma parcela considerável, embora a medição direta no DNA atual ainda seja limitada.

As variantes genéticas comuns que podem ser medidas hoje explicam entre 2% e 8% da variação do transtorno. Para chegar a esses números, os pesquisadores utilizaram o escore poligênico, que soma o peso de diferentes variações nas bases do DNA.

Na amostra estudada, o escore explicou entre 2,6% e 3,6% das diferenças no risco de Transtorno Depressivo Maior entre os jovens. Embora o percentual pareça baixo, o modelo mostrou-se mais específico para esse diagnóstico do que para ansiedade ou transtorno bipolar.

Qual o impacto clínico desses resultados?

Apesar do avanço científico, especialistas alertam que ferramentas de diagnóstico genético para uso clínico ainda estão distantes da realidade. Ainda não é possível prever, por meio de testes laboratoriais, se um indivíduo terá alto risco de desenvolver transtornos mentais.

Existem também preocupações éticas sobre o uso dessas tecnologias. Os pesquisadores apontam a necessidade de discutir se a descoberta antecipada de riscos genéticos poderia gerar impactos psicológicos prejudiciais aos pacientes e suas famílias.

A pesquisa faz parte da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais. O projeto acompanha 2.500 crianças e adolescentes há mais de 15 anos para entender as origens genéticas e ambientais dos transtornos.

O estudo está vinculado ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental, por meio do projeto Conexão Mentes do Futuro. A iniciativa conta com a colaboração da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.