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Saúde

Uso de testosterona sem indicação médica aumenta risco de infarto e morte, diz estudo

Pesquisa acompanhou quase 360 mil homens e apontou risco 51% maior de eventos cardiovasculares em quem não tem deficiência hormonal.

Por Redação Diário Local

O uso de testosterona sem indicação médica pode aumentar significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), parada cardíaca, insuficiência cardíaca e morte. A conclusão faz parte de um grande estudo que comparou homens que utilizaram a terapia hormonal com e sem o diagnóstico de hipogonadismo — condição caracterizada pela produção insuficiente do hormônio pelo organismo.

A pesquisa, publicada na revista eBioMedicine, acompanhou quase 360 mil homens por um período de até 10 anos. Os resultados mostraram que os riscos cardiovasculares foram consideravelmente maiores entre os pacientes que iniciaram o tratamento sem apresentar evidências clínicas da deficiência hormonal.

O que diz a pesquisa sobre os riscos?

Segundo os pesquisadores, o uso da testosterona fora do contexto do hipogonadismo clássico tem sido frequente, muitas vezes com o objetivo de ganhar massa muscular ou melhorar o desempenho físico. No entanto, a análise de registros de saúde de 358.957 homens, entre 30 e 75 anos, trouxe alertas sobre essa prática.

O estudo aponta que homens que utilizaram o hormônio sem indicação médica apresentaram um risco 51% maior de sofrer um evento cardiovascular grave quando comparados àqueles que possuíam o diagnóstico de hipogonadismo. Além disso, o risco de morte por qualquer causa foi 90% maior no grupo que não tinha a indicação clínica.

A investigação também identificou um aumento na frequência de casos de AVC isquêmico, insuficiência cardíaca e parada cardíaca entre os indivíduos que iniciaram a terapia sem a necessidade comprovada.

Qual é a função da testosterona no corpo?

A testosterona é um hormônio essencial para a saúde masculina, atuando na manutenção dos músculos, ossos, metabolismo, fertilidade e no funcionamento do cérebro e do sistema cardiovascular. Quando os níveis estão baixos, podem surgir sintomas como cansaço persistente, queda da libido, disfunção erétil e alterações de humor.

A deficiência também pode comprometer a concentração, a memória e favorecer a perda de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose. Em quadros mais avançados, a baixa hormonal pode causar anemia leve, redução da massa muscular, diminuição dos pelos corporais e redução do volume dos testículos.

Como deve ser a indicação do tratamento?

A terapia com testosterona é recomendada apenas para homens com hipogonadismo confirmado por meio de sintomas e exames laboratoriais. O objetivo do tratamento nesses casos é restabelecer os níveis normais do hormônio no organismo.

Os autores do estudo ressaltam que a prescrição deve ser estritamente baseada em critérios clínicos e laboratoriais. Eles reforçam que pacientes em uso da terapia devem manter o acompanhamento constante dos fatores de risco cardiovasculares, uma vez que a segurança do tratamento parece depender diretamente do contexto de indicação médica.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.