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Saúde

Tratamento de placas de gordura nas artérias foca em estabilização e não apenas no desaparecimento

Objetivo da terapia para aterosclerose é tornar as placas menos propensas a rupturas, mesmo que continuem visíveis em exames.

Por Redação Diário Local

O sucesso do tratamento para placas de gordura nas artérias do coração não depende necessariamente do desaparecimento completo da lesão. O objetivo principal da terapia é modificar a composição da placa para torná-la mais estável e menos propensa a rupturas que podem causar infarto.

Muitas pessoas acreditam que o tratamento só é efetivo se um novo exame mostrar que a gordura sumiu. No entanto, especialistas explicam que tratar a aterosclerose significa, muitas vezes, mudar a biologia da placa para reduzir sua instabilidade.

A aterosclerose não é apenas um depósito passivo de gordura, mas uma doença inflamatória crônica da parede dos vasos. O processo ocorre quando o colesterol LDL atravessa o revestimento da artéria e desencadeia uma resposta do organismo.

Com o tempo, formam-se placas compostas por diferentes quantidades de gordura, células inflamatórias, tecido fibroso e cálcio. Por essa razão, duas lesões com tamanhos semelhantes em exames podem apresentar comportamentos e riscos completamente distintos.

As placas consideradas mais perigosas são as chamadas "vulneráveis". Elas costumam apresentar um núcleo lipídico volumoso, inflamação ativa e uma capa fibrosa fina, que funciona como uma proteção sobre o conteúdo da placa.

Quando essa capa fina sofre uma ruptura, o sangue entra em contato com substâncias que podem formar um coágulo de maneira súbita. Se esse trombo obstruir uma artéria coronária, o resultado pode ser um infarto, mesmo em lesões que não causavam obstrução crítica antes do evento.

Como o tratamento age na biologia da placa?

O conceito central aplicado pelos médicos é a estabilização da placa. A redução consistente do LDL, especialmente por meio de terapias com intensidade adequada ao risco de cada paciente, pode diminuir a atividade inflamatória da lesão.

Além de reduzir o conteúdo de gordura, o tratamento pode aumentar a espessura da capa fibrosa. Esse reforço torna a placa menos suscetível a rupturas, diminuindo o risco de complicações graves.

Pesquisas realizadas com técnicas de imagem intracoronária documentaram essas alterações de forma detalhada. Os estudos mostram que o tratamento intensivo para redução do colesterol pode promover a regressão da carga de ateroma.

Um ponto que gera confusão é a calcificação das artérias. Durante o uso de estatinas, algumas placas podem apresentar um aumento na densidade de cálcio, o que pode fazer parte do processo de estabilização da lesão.

Apesar disso, a quantidade total de cálcio coronariano continua sendo um marcador importante para avaliar a carga da doença e o prognóstico do paciente. O significado da calcificação deve ser sempre interpretado dentro do contexto clínico individual.

O que define o controle do risco cardiovascular?

É fundamental entender que estabilizar a placa não significa cura ou a existência de risco zero. Pessoas que já apresentam aterosclerose precisam manter o acompanhamento médico constante para evitar novos eventos.

O tratamento não se limita ao uso de medicamentos para o colesterol. É necessário alcançar metas individuais para o LDL, controlar a pressão arterial e o diabetes, além de manter hábitos saudáveis.

A estratégia de saúde deve incluir o abandono do tabagismo, a prática regular de atividades físicas, o controle do peso e a manutenção de uma alimentação equilibrada. A escolha de cada terapia depende da extensão da doença e da resposta do paciente.

Repetir exames de imagem apenas para verificar se a placa "sumiu" pode não ser necessário e até levar a interpretações equivocadas. A avaliação deve considerar o conjunto de fatores, como a adesão à terapia e a ausência de novos problemas cardiovasculares.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.