Tratamento de deformidades faciais na infância pode melhorar a respiração e o sono
Intervenções ortodônticas durante o crescimento facial podem reduzir riscos de apneia do sono e problemas respiratórios na vida adulta.
Por Redação Diário Local
O tratamento de deformidades faciais durante a infância pode auxiliar no desenvolvimento de uma respiração adequada e na melhoria da qualidade do sono. O desenvolvimento dos ossos da face, como a maxila e a mandíbula, influencia diretamente a passagem do ar e pode reduzir fatores anatômicos associados à apneia obstrutiva do sono na fase adulta.
Diferente do que se acreditava anteriormente, problemas como ronco frequente, respiração bucal, sono agitado, irritabilidade e dificuldade de concentração em crianças podem estar relacionados ao formato da face e não apenas ao tamanho das amígdalas ou ao excesso de peso. O formato do palato (céu da boca) e a posição da mandíbula são determinantes para a amplitude das vias aéreas superiores.
Por que a infância é a melhor fase para intervir?
A infância é considerada uma janela de oportunidade única, pois os ossos faciais ainda estão em processo de crescimento e respondem de forma mais eficiente a estímulos ortopédicos. Isso permite que alterações esqueléticas sejam corrigidas de maneira menos invasiva do que na fase adulta.
Após o término do crescimento facial, a capacidade de reposicionar os ossos apenas com aparelhos ortopédicos diminui drasticamente. Nesses casos, discrepâncias moderadas ou graves podem exigir tratamentos combinados entre ortodontia e cirurgia ortognática para reposicionar a maxila ou a mandíbula.
Como os tratamentos favorecem a respiração?
Uma das intervenções utilizadas é a expansão rápida da maxila. Quando o céu da boca é muito estreito, aparelhos expansores podem aumentar a largura da maxila, o que amplia a cavidade nasal e reduz a resistência à passagem do ar, favorecendo a respiração pelo nariz.
Outra abordagem envolve o uso de aparelhos ortopédicos para estimular a posição mais frontal da mandíbula em crianças com retrognatia (quando a mandíbula está posicionada para trás). Esse movimento pode aumentar o espaço para a língua e o calibre da via aérea faríngea, reduzindo riscos anatômicos de apneia.
Qual o papel da equipe multidisciplinar?
A respiração predominantemente pela boca pode ser causada por fatores como alergias, aumento das adenoides ou hipertrofia das amígdalas. Se não tratada, essa condição pode alterar o padrão de crescimento facial, resultando em face alongada e palato estreito.
Por esse motivo, o tratamento eficaz exige uma abordagem conjunta entre ortodontistas, otorrinolaringologistas, pediatras e fonoaudiólogos. O objetivo é restabelecer a respiração nasal e garantir um desenvolvimento facial equilibrado.
Embora a ortodontia ajude a melhorar a função respiratória, o risco de apneia do sono na vida adulta é multifatorial, envolvendo também genética, obesidade e envelhecimento. O diagnóstico precoce, no entanto, é essencial para oferecer benefícios que acompanham o indivíduo a longo prazo.
