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Saúde

Alimentos consumidos pela mãe podem afetar o bem-estar de bebês amamentados

Certos compostos de laticínios, cafeína e vegetais podem passar pelo leite materno e causar desconforto, gases ou agitação em bebês sensíveis.

Por Davy Albuquerque

A dieta adotada pela mãe durante o período de amamentação pode influenciar o surgimento de gases, agitação e desconforto digestivo em recém-nascidos. Embora a cólica esteja frequentemente ligada à imaturidade do sistema digestivo do próprio bebê, certos compostos presentes nos alimentos ingeridos pela mulher podem passar para o leite materno.

Especialistas explicam que a ingestão de determinados itens pode provocar sintomas como barriga dura, perninhas encolhidas e choro intenso. No entanto, a alimentação não é a única causa, já que fatores como a pega inadequada na amamentação ou a ingestão de ar durante a mamada também podem gerar o problema.

Os laticínios aparecem como um dos principais grupos de atenção para mães que notam desconforto nos filhos. Produtos como leite, queijo, manteiga, iogurte e sorvete contêm a proteína do leite de vaca, que é um alérgeno comum.

Quando a mãe consome esses itens, fragmentos dessa proteína podem chegar ao intestino do bebê. Se a criança tiver sensibilidade, isso pode resultar em desconforto digestivo e irritação.

Vegetais crucíferos também demandam observação cuidadosa por parte da família. Alimentos como brócolis, couve-flor, repolho e couve de Bruxelas são nutritivos, mas contêm carboidratos fermentáveis.

A fermentação desses carboidratos produz gases durante a digestão, o que pode refletir no bebê. O efeito costuma ser percebido pelo estufamento da barriga e aumento do choro nas horas seguintes ao consumo.

As leguminosas seguem um padrão de ação semelhante no organismo. Alimentos como feijão, ervilha e grão-de-bico podem produzir gases que impactam o bem-estar do recém-nascido através do leite.

O uso de temperos fortes e condimentos, como a pimenta, também pode ser um gatilho. Esses elementos têm o potencial de alterar o sabor e a composição do leite, incomodando bebês com maior sensibilidade sensorial.

Qual o impacto da cafeína e das frutas cítricas?

A cafeína é uma substância que passa para o leite materno com relativa facilidade. Ela está presente no café, no chá preto, nos refrigerantes, no chimarrão e no chocolate.

Como os bebês têm muito mais dificuldade para metabolizar a cafeína do que os adultos, o consumo materno pode causar agitação e dificuldade para dormir. Recomenda-se limitar o consumo, por exemplo, a uma xícara de café por dia.

As frutas cítricas, como laranja, limão, abacaxi e kiwi, também entram na lista de observação. Por possuírem alta acidez, elas podem irritar o sistema digestivo ainda imaturo do bebê, causando azia.

Já o consumo de álcool deve ser evitado. A substância passa rapidamente para o leite e o bebê não tem capacidade de processá-la, sendo recomendado esperar pelo menos duas a três horas após a ingestão para amamentar.

Como descobrir o que está causando o desconforto?

Como não existe uma lista universal de alimentos proibidos, a estratégia mais indicada para as mães é o uso de um diário alimentar. Com ele, a mulher anota o que comeu e observa o comportamento do bebê nas duas a quatro horas seguintes.

Se houver suspeita de um alimento específico, a orientação é retirá-lo da dieta por duas a quatro semanas. Caso haja melhora, o item pode ser reintroduzido para confirmar se a relação entre o alimento e o desconforto persiste.

Especialistas alertam que não é recomendável cortar todos os alimentos de uma vez. Uma dieta excessivamente restritiva pode prejudicar a nutrição da mãe e dificultar a identificação do verdadeiro culpado.

Por fim, é importante considerar que a cólica nem sempre é alimentar. Se o desconforto for muito intenso ou persistir além dos quatro meses de vida, a consulta com um pediatra torna-se indispensável.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.