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Saúde

Universidade na China investiga cientista após morte de criança em terapia genética

Universidade Jiao Tong de Xangai apura conduta de neurocientista após morte de menina de 6 anos em tratamento experimental.

Por Redação Diário Local

A Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, iniciou uma investigação para apurar a conduta do neurocientista Qiu Zilong após a morte de uma menina de seis anos durante uma terapia experimental de edição genética. O caso ocorreu em março do ano passado, mas ganhou repercussão pública na semana passada após a divulgação de um relatório científico.

A criança, identificada como Mei, faleceu sete dias após a equipe médica realizar a infusão de vírus contendo a instrução para um editor de bases em seu líquido cefalorraquidiano. Segundo o relatório, a morte foi causada por uma grave reação imunológica relacionada ao tratamento aplicado.

O tratamento tinha como objetivo corrigir uma mutação genética da síndrome de Snijders Blok-Campeau, uma condição rara identificada em menos de 300 pessoas no mundo. A mutação interrompe a função de uma proteína essencial do DNA, resultando em deficiências físicas e cognitivas que se assemelham ao transtorno do espectro autista.

De acordo com documentos apresentados pelos pais da vítima, o Hospital Xinhua, que é afiliado à universidade, teria permitido que o ensaio clínico ocorresse sob uma disposição regulamentar que dispensava a aprovação de órgãos reguladores nacionais. O pai da menina afirmou que a descoberta dessa ausência de medidas de segurança mudou a percepção da família sobre o projeto.

Em setembro do ano passado (24), o hospital realizou o pagamento de uma multa de 24 mil yuans (aproximadamente US$ 3,5 mil) às autoridades de saúde locais. O valor é considerado baixo em comparação aos US$ 860 mil arrecadados pela própria família da criança para a viabilização do ensaio clínico.

Posicionamento da instituição

A Universidade Jiao Tong de Xangai, por meio de comunicado, afirmou que a faculdade de medicina valoriza a integridade e os padrões de pesquisa. A instituição declarou que se opõe resolutamente a qualquer pesquisa médica que viole a ética e os regulamentos vigentes.

Questionado sobre o ocorrido, o neurocientista Qiu Zilong, de 49 anos, recusou-se a comentar o caso. O pesquisador afirmou que todas as respostas sobre a investigação serão fornecidas pelos líderes da faculdade de medicina.

A investigação interna da universidade busca agora esclarecer os procedimentos adotados pela equipe médica e a conformidade do tratamento com as normas de segurança exigidas para terapias de edição genética de alto risco.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.