Uso de algoritmos por crianças gera debate sobre limites de tempo de tela e saúde mental
Países impõem restrições de idade em redes sociais enquanto legislação brasileira reforça a proteção de menores no ambiente digital
Por Redação Diário Local
O uso de algoritmos por crianças e o tempo de exposição às telas têm gerado debates globais sobre a proteção da infância e o desenvolvimento cerebral. Enquanto países como França e Austrália aplicam restrições de idade para o uso de redes sociais, o Brasil busca reforçar a proteção de menores por meio de legislação específica no ambiente virtual.
A preocupação central reside no fato de que a infância é o período de maior plasticidade cerebral, fase em que se formam as bases da aprendizagem, da atenção e da regulação emocional. A chamada 'economia da atenção', praticada por grandes plataformas digitais, utiliza mecanismos como notificações e vídeos curtos para manter os usuários conectados, o que pode ser especialmente desafiador para crianças.
Como a tecnologia afeta o desenvolvimento infantil?
Pesquisas em neurociência indicam que a exposição excessiva a ambientes hiperestimulantes pode interferir na capacidade de concentração e aumentar sintomas de ansiedade. Além disso, o uso desregrado pode dificultar a tolerância a frustrações e comprometer habilidades sociais essenciais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o estabelecimento de limites para o tempo de tela. O órgão reforça que o desenvolvimento infantil saudável depende de interações humanas, brincadeiras e atividades físicas no mundo real para complementar o acesso à informação proporcionado pela tecnologia.
O que diz a legislação brasileira?
No Brasil, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital foi fortalecida pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). A medida foi estabelecida pela Lei nº 15.211/2025 e regulamentada pelo Decreto nº 12.880/2026.
A legislação brasileira prevê mecanismos mais rigorosos para a verificação de idade e amplia a proteção dos dados pessoais de menores. Além disso, o estatuto restringe práticas de publicidade manipulativa e o perfilamento comportamental direcionado ao público infantojuvenil.
O debate sobre a privacidade e o sharenting
Outro ponto de atenção é o fenômeno do 'sharenting', termo que descreve a prática de pais compartilharem fotos, vídeos e momentos íntimos dos filhos nas redes sociais. Esse comportamento acaba criando uma identidade digital para a criança antes que ela tenha maturidade para compreender o conceito de privacidade.
Especialistas alertam que a construção de um histórico digital permanente levanta questões sobre o direito à privacidade e sobre como a criança será vista no futuro, uma vez que o ambiente digital exige uma reinterpretação dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
