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Saúde

Ginecologista explica como o útero didelfo e o septo vaginal podem afetar a vida sexual

Especialista esclarece que a duplicação do canal vaginal ocorre de forma interna e pode causar dor ou desconforto durante o sexo.

Por Redação Diário Local

A presença de dois canais vaginais, condição decorrente de uma anomalia congênita rara, pode impactar a vida íntima e a saúde de algumas mulheres. A duplicação, que pode estar associada ao útero didelfo ou ao septo vaginal longitudinal, caracteriza-se pela divisão do canal vaginal em dois por uma parede de tecido.

De acordo com a ginecologista Lívia Saviolo, a condição pode causar desconforto ou dor durante as relações sexuais, embora em muitos casos a mulher não apresente sintomas perceptíveis. Muitas pacientes descobrem a alteração apenas durante exames ginecológicos de rotina.

A anomalia ocorre devido a uma falha na fusão dos ductos de Müller durante o desenvolvimento embrionário, o que acontece entre a 6ª e a 20ª semana de gestação. O septo vaginal longitudinal divide o canal, mas a alteração é exclusivamente interna.

Por ser uma mudança nas estruturas internas, a vulva — que é a parte externa da genitália feminina — não apresenta qualquer mudança visual. Isso significa que, externamente, não é possível identificar que a mulher possui dois canais.

Como a condição afeta a vida sexual?

O impacto na vida sexual depende de fatores anatômicos, como a espessura do septo ou se ele provoca uma obstrução parcial do canal. Em alguns casos, o septo pode causar dor durante a relação sexual (dispareunia) ou até lacerações.

Teoricamente, é possível realizar relações sexuais por ambos os canais quando o septo é completo. No entanto, na prática, a maioria das mulheres utiliza apenas um deles, geralmente o canal mais amplo ou de acesso mais fácil.

A especialista reforça que não existe necessidade clínica de utilizar os dois canais. A função sexual é considerada normal utilizando apenas um deles, e a tentativa de usar ambos não traz benefícios adicionais à saúde ou ao prazer.

Para as mulheres que sentem desconforto, o manejo envolve uma abordagem multidisciplinar. O tratamento pode incluir aconselhamento sexual, intervenção cirúrgica e, principalmente, a fisioterapia do assoalho pélvico, que é considerada o tratamento de primeira linha.

Quais são os principais sintomas?

Além da dor, a condição pode manifestar outros sinais, como dificuldade para inserir ou remover absorventes internos. Outro sintoma comum é o sangramento menstrual através do absorvente, causado pelo fluxo que percorre o canal não obstruído.

Mulheres com a condição também podem apresentar dismenorreia (cólicas menstruais intensas). Em casos de obstrução de um dos canais, o quadro pode se agravar com dor pélvica cíclica e hematocolpos, que é o acúmulo de sangue menstrual no canal obstruído.

A obstrução também pode causar sensação de pressão na região retal e sintomas urinários, como aumento da frequência para urinar, dor ao urinar ou retenção urinária. Em situações de parto, a condição pode resultar em um trabalho de parto obstruído.

O que é o útero didelfo?

O útero didelfo é uma malformação em que a mulher possui dois úteros completamente separados. Quando associado ao septo vaginal longitudinal, a paciente apresenta apenas um hímen, localizado na entrada da vagina (introito vaginal).

Isso ocorre porque, embora o septo divida a vagina em dois canais ao longo de seu comprimento, ambos os lados desembocam em uma única abertura vaginal. Por conta disso, a paciente não possui dois hímenes, mas sim um único que protege a entrada comum.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.