Autoridades da Alemanha avaliam proibição de óculos inteligentes da Meta por riscos de privacidade
Especialistas e órgãos reguladores alertam para o risco de filmagens escondidas e exposição de pessoas sem consentimento.
Por Redação Diário Local
O órgão regulador de telecomunicações da Alemanha examina a possibilidade de proibir o uso de óculos inteligentes da Meta no país. A medida é motivada por preocupações com a privacidade e pelo risco de filmagens realizadas sem o consentimento das pessoas envolvidas.
Thomas Fuchs, comissário de proteção de dados responsável pelos serviços da Meta na Alemanha, afirmou que seu gabinete já adota ações para prevenir gravações escondidas e pode aplicar multas por usos proibidos do dispositivo. Segundo o especialista, a dificuldade de distinguir os óculos no cotidiano e de identificar se a câmera está ativa pode oferecer justificativa legal para uma proibição completa.
A legislação alemã veda a distribuição de imagens de terceiros sem autorização. A organização de direitos digitais HateAid alertou que os dispositivos permitem registros discretos, que são frequentemente compartilhados em redes sociais, expondo pessoas sem que elas percebam.
Incidentes de exposição indevida em áreas de lazer foram relatados em cidades alemãs como Hamburgo e Colônia. Em Hamburgo, uma mulher teria sido filmada sem autorização enquanto descansava à beira de um lago, com as imagens sendo posteriormente publicadas na rede social TikTok.
Medidas restritivas já foram implementadas localmente. Em Potsdam, nos arredores de Berlim, autoridades aprovaram em junho (2025) a proibição do uso dos óculos em piscinas e saunas. O partido A Esquerda também defendeu a adoção de regras semelhantes em Hamburgo.
Nos Estados Unidos, o estado de Nova York proibiu o uso de óculos inteligentes em tribunais de todos os níveis. A restrição visa evitar gravações não autorizadas, após o uso dos dispositivos por membros da equipe de segurança do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, durante um julgamento na Califórnia.
A Meta também enfrentou controvérsias internacionais devido ao tratamento de dados sensíveis. Relatos apontaram que trabalhadores terceirizados no Quênia tiveram acesso a imagens de usuários que incluíam conteúdo de nudez e cenas sexuais.
O caso envolvendo o acesso a imagens sensíveis gerou preocupações de autoridades do Reino Unido e do Quênia, além de resultar em um processo judicial nos Estados Unidos. Após o episódio, a Meta cancelou o contrato com a empresa queniana envolvida. Os óculos inteligentes da Meta já estão disponíveis para venda no Brasil.
