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Ciência

Novas tecnologias conseguem decompor substâncias químicas chamadas de 'eternas'

Pesquisadores testam métodos de cavitação e plasma para destruir compostos PFAS e evitar a contaminação de recursos hídricos.

Por Davy Albuquerque

Pesquisadores do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ), na Alemanha, estão testando duas novas tecnologias capazes de destruir as substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS). Conhecidos como 'químicos eternos', esses compostos sintéticos são utilizados para tornar produtos resistentes ao calor, à água, a manchas e à gordura, mas apresentam alto risco de contaminação ambiental.

As substâncias possuem uma ligação química extremamente forte entre carbono e flúor, o que dificulta a decomposição natural. O contato dessas substâncias com humanos pode afetar o material genético e aumentar as chances de câncer, embora os efeitos biológicos ainda sejam pouco compreendidos. A aplicação dos novos métodos visa proteger a saúde da população e os recursos hídricos.

Como funcionam os novos métodos de limpeza?

O primeiro método testado utiliza a cavitação hidrodinâmica. Nesse processo, a água contaminada passa por uma zona de compressão que forma bolhas. Quando essas bolhas estouram devido à pressão, as substâncias de PFAS são expostas a altas temperaturas, resultando na degradação do composto e na mineralização do flúor.

Segundo Sebastian Reinecke, um dos autores do estudo, o objetivo atual é realizar experimentos para aumentar a taxa de degradação. A meta é atingir a quebra de mais de 80% dos PFAS na solução e a mineralização de mais de 50% do flúor que está ligado aos produtos químicos.

A segunda tecnologia utiliza o plasma atmosférico frio com dispersão de gás. O processo ocorre em condições ambientais normais, sem necessidade de adicionar outros produtos químicos. O plasma é gerado na superfície da água enquanto o gás é introduzido simultaneamente na água contaminada.

Nesse sistema, os PFAS se ligam à superfície das bolhas de gás e, conforme sobem, são levados para a superfície onde são decompostos pelo plasma. Este segundo método mostrou-se mais rápido na degradação de cadeias curtas e longas de PFAS do que a tecnologia de cavitação, mas apresenta um consumo de energia mais elevado e gera subprodutos cujos riscos à saúde ainda são desconhecidos.

Quais são os próximos passos da pesquisa?

Os cientistas pretendem agora unir as vantagens de ambos os sistemas. O objetivo é combinar as forças da cavitação hidrodinâmica e do plasma atmosférico em um tratamento único.

A meta é o desenvolvimento de um produto de uso comercial que seja capaz de tratar águas contaminadas antes que elas sejam descartadas de forma incorreta pela indústria, garantindo que o processo não produza outras substâncias potencialmente perigosas para o meio ambiente ou para o ser humano.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.