El Niño pode comprometer produtividade da mandioca e afetar oferta no Paraná
Fenômeno climático pode aumentar doenças nas lavouras e pressionar preços em um mercado que já opera com oferta ajustada
Por Davy Albuquerque
A possibilidade de formação de um El Niño mais intenso no fim do ano gera preocupação entre os produtores de mandioca no Paraná. O fenômeno climático pode aumentar a ocorrência de doenças nas lavouras e comprometer a produtividade da cultura, que já enfrenta desafios como baixa rentabilidade e redução do plantio.
Segundo o engenheiro agrônomo Marlon Francis Zeferino, técnico de campo do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), o El Niño é problemático para a mandioca porque altera o regime de chuvas e favorece o avanço de patógenos. Em 2025, situações de excesso de chuva e temperaturas abaixo do normal estimularam a propagação de problemas sanitários.
Quais são os riscos para a lavoura?
Caso ocorra um fenômeno de maior intensidade, os produtores devem ficar atentos a doenças como a bacteriose, a antracnose e a cercosporiose. Outros problemas, como o complexo do couro de sapo e a vassoura-de-bruxa, também representam riscos que podem levar a perdas de até 100% da produção.
Para reduzir esses riscos, é recomendado o uso de material de plantio saudável e certificado. A atuação contra essas doenças é fundamental para garantir a viabilidade da colheita diante das variações climáticas previstas.
Como está o mercado de mandioca?
O cenário de oferta já se encontra ajustado. No Paraná, o plantio tem sido reduzido devido ao endividamento dos produtores, à baixa produtividade e à menor rentabilidade da cultura. Com a menor disponibilidade de matéria-prima, os preços da mandioca registraram altas em grande parte das regiões acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Pesquisadores do Cepea apontam que a redução gradual das raízes de segundo ciclo e o avanço do calendário de plantio são fatores de atenção. A expectativa é que uma possível redução na área plantada ajude a sustentar os preços da raiz nos próximos ciclos, especialmente em um momento de aumento da demanda por derivados da mandioca.
Demanda externa e impacto industrial
A procura por amido de mandioca brasileiro tem crescido no mercado chinês, impulsionado pela busca por produtos sem glúten e alternativas sustentáveis. Apesar do potencial de exportação, o Brasil ainda busca ganhar espaço frente a países como a Tailândia, que lidera as exportações globais.
No Paraná, estado que concentra um importante polo industrial de fécula de mandioca, as empresas monitoram o cenário com cautela. Como a raiz é de difícil armazenamento, as indústrias costam operar com estoques reduzidos para evitar perdas financeiras decorrentes da sazonalidade da produção.
