MPMG deflagra operação para investigar fraude em concurso da Câmara de Minduri em Minas Gerais
Investigação aponta que notas de candidatos poderiam ser manipuladas para garantir aprovação mediante pagamento.
Por Davy Albuquerque
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou nesta terça-feira (21) a operação "A Porta Larga" para investigar um suposto esquema de fraude no concurso público da Câmara Municipal de Minduri, no Sul de Minas. Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão.
A investigação começou após a presidente da Câmara de Minduri comunicar suspeitas de irregularidades no certame destinado ao preenchimento de cargos na Casa Legislativa. Conforme as apurações, uma servidora comissionada informou ter sido procurada por um servidor público da Prefeitura de Minduri, que teria oferecido a possibilidade de aprovação no concurso mediante o pagamento de R$ 15 mil.
De acordo com o MPMG, o mesmo servidor apontado como intermediador da negociação também foi o responsável pelo processo licitatório que resultou na contratação da empresa organizadora do certame. O órgão afirma que a empresa, sediada em Andrelândia, venceu a licitação ao apresentar proposta de valor muito inferior à média das concorrentes.
Como funcionaria o esquema de fraude?
As investigações indicam que o esquema seria liderado por um advogado que integra a banca examinadora. A fraude consistiria na manipulação dos resultados do concurso.
Segundo o MPMG, após a realização das provas, o advogado analisava o desempenho dos candidatos e alterava as notas dos beneficiados para garantir a aprovação dentro do número de vagas oferecidas.
O Ministério Público também apura indícios de que a empresa responsável pelo concurso, Cássia Aparecida de Oliveira, que atua com o nome fantasia CAP Concursos Públicos, possa ter adotado o mesmo método em outros concursos realizados em municípios de Minas Gerais e do Mato Grosso, com a participação de outros servidores públicos.
Cidades citadas na investigação
Entre as cidades mencionadas pelo MPMG estão Carmo do Rio Claro, São Lourenço, Itaú de Minas, Passa Quatro, Carvalhos, Paula Cândido, Bias Fortes, Colider, Diamantino e Nova Santa Helena.
Os investigados podem responder por crimes como falsidade ideológica, supressão de documento público, fraude em certame público, corrupção passiva, frustração do caráter competitivo de licitação e associação criminosa.
