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Educação

Pesquisadora de Cariacica enfrenta falta de recursos para realizar doutorado em Portugal

Juliana Pereira Rodrigues foi aprovada para doutorado sanduíche na Universidade de Évora, mas relata dificuldades financeiras para manter a família no Brasil.

Por Redação Diário Local

A pesquisadora capixaba Juliana Pereira Rodrigues Nunes, de 32 anos, enfrenta dificuldades financeiras para viabilizar sua ida a Portugal para realizar parte do doutorado em Psicologia na Universidade de Évora. Embora tenha sido aprovada para o programa de doutorado sanduíche, ela relata o desafio de equilibrar os custos de moradia e subsistência no exterior com as despesas da família, que permanece no Espírito Santo.

Juliana é vinculada à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e foi selecionada para desenvolver parte de sua pesquisa em instituições estrangeiras, mantendo o vínculo com a universidade de origem. Natural de Flexal II, em Cariacica, a psicóloga afirma que a falta de recursos financeiros impede que muitos pesquisadores aproveitem oportunidades acadêmicas internacionais.

A pesquisadora explica que, apesar de ter sido contemplada com uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que garante uma mensalidade de aproximadamente € 1.300 (cerca de R$ 7,6 mil), diversos gastos iniciais e de manutenção ficam sob sua responsabilidade. Isso inclui desde a emissão de passaporte e taxas consulares para o visto até a compra de vestuário para o inverno europeu.

Outro fator de pressão no orçamento é o custo de moradia em Portugal, que pode limitar os estudantes à locação de quartos em imóveis compartilhados. Além disso, Juliana destaca que sua bolsa atual, concedida pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), será suspensa durante o período de permanência no exterior.

A suspensão do auxílio nacional gera preocupação com os custos fixos da família no Brasil, como alimentação, transporte e cuidados com as duas filhas da pesquisadora. Segundo Juliana, a realidade de altos custos e redução de renda leva muitos estudantes ao endividamento ou à desistência definitiva de realizar o intercâmbio acadêmico mesmo após a aprovação.

Por que os pesquisadores enfrentam dificuldades?

O principal desafio reside na insuficiência de recursos para cobrir despesas extras e a manutenção de dependentes no Brasil enquanto o pesquisador está fora. A pesquisadora ressalta que a falta de apoio financeiro adequado restringe o acesso às oportunidades e prejudica o fortalecimento das redes internacionais de produção científica do país.

O que dizem as instituições?

Procurada, a Capes informou que acompanha o aumento do custo de vida internacional e trabalha na elaboração de propostas para a recomposição dos valores das bolsas destinadas ao exterior. A fundação afirmou que as medidas estão sendo avaliadas em conjunto com o Ministério da Educação, respeitando a disponibilidade orçamentária e as regras fiscais.

A Fapes informou que realizou o reajuste das bolsas internacionais em fevereiro de 2026. O cenário atual reflete a necessidade de adequação das bolsas, que, segundo apuração, passam por processos de avaliação para lidar com a variação cambial e o custo de vida nos países de destino.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.