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Tecnologia

Ações de empresas de inteligência artificial avançam 20% no primeiro semestre de 2026

Setor de tecnologia lidera ganhos em Wall Street apesar de pressões inflacionárias e juros elevados nos EUA.

Por Davy Albuquerque

O setor de tecnologia registrou o principal destaque de Wall Street no primeiro semestre de 2026. O índice MSCI World Technology, que engloba empresas como Nvidia, Apple, Microsoft, Broadcom e Micron, avançou mais de 20% no período.

O desempenho ocorre em um ambiente macroeconômico complexo, influenciado por pressões inflacionárias devido a conflitos no Oriente Médio e pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, mantenha os juros em patamares elevados.

Embora existam apostas de que os lucros do setor serão suficientes para compensar os desafios econômicos, crescem as dúvidas sobre a sustentabilidade das projeções de longo prazo. Um ponto de consenso entre especialistas é que a inteligência artificial (IA) se dissemina rapidamente, mas as mudanças nas empresas para aproveitar a produtividade ainda não acompanharam esse ritmo.

Como está o uso da tecnologia nas empresas?

O analista da ISG, Pedro Bicudo Maschio, observou que o uso da IA generativa nos negócios ainda é escasso. Segundo ele, a implementação da tecnologia traz novas demandas, como a escolha de modelos adequados, treinamento de agentes e monitoramento constante da qualidade das respostas de chatbots.

Maschio pontua que, diferentemente de outras tecnologias, os modelos de linguagem de grande escala (LLM) não possuem um único detentor. O investimento segue concentrado em grandes empresas de tecnologia americanas, que têm buscado recursos por meio de emissão de ações e dívidas.

Na Meta, o diretor executivo Mark Zuckerberg afirmou a funcionários que os gastos com IA têm pressionado as finanças da companhia. Segundo Zuckerberg, o valor das ações estaria em um patamar mais alto caso esses investimentos não tivessem sido realizados.

O impacto no setor financeiro

O avanço da tecnologia não se restringe às empresas de software e hardware. Com a expectativa de grandes ofertas públicas de ações (IPOs) de empresas como OpenAI e Anthropic, o setor financeiro também tem registrado movimentação, como observado nos resultados de instituições como Goldman Sachs e JPMorgan Chase.

O diretor financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, afirmou que a inteligência artificial está presente em todos os mercados financeiros. Além de assessorar fusões e aquisições, os bancos atuam no financiamento de projetos de infraestrutura e data centers.

O Wells Fargo Investment Institute projeta que a inteligência artificial impulsionará um crescimento substancial no mercado este ano, podendo representar quase 25% do crescimento dos lucros do índice S&P 500. Por outro lado, um relatório do Société Générale alerta para a preocupação de investidores com uma possível sobrevalorização das empresas do setor, o que tem gerado volatilidade.

Perspectivas de juros e investimentos

O cenário de política monetária nos Estados Unidos também é um fator de atenção. De acordo com o monitoramento do CME Group, os mercados trabalham com uma probabilidade de 53,5% de que o Federal Reserve eleve os juros em ao menos 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.

Para a Capital Economics, uma alta moderada não seria uma ameaça significativa, mas um aumento acentuado nos juros reduziria os investimentos no setor. Já o diretor financeiro da Quality Digital, Rodrigo Torres, defende que há uma demanda global constante por infraestrutura de IA, o que sustentaria os investimentos bilionários e afastaria especulações de uma "bolha".

Segundo Torres, o movimento atual é uma reprecificação de ativos baseada em lucros reais, sustentada por investimentos em computação em nuvem de empresas como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.