Apicultores utilizam áreas de preservação de indústria em Aracruz para produzir mel e gerar renda
Iniciativa em áreas de preservação de indústria de celulose garante renda para famílias e coloca Aracruz como líder na produção de mel no ES.
Por Davy Albuquerque
Apicultores utilizam áreas de preservação ambiental de uma indústria de celulose em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, para a produção de mel. A atividade tem gerado renda para dezenas de famílias e consolidou o município como o maior produtor do estado.
A iniciativa ocorre por meio do programa Apicultura Sustentável, que oferece suporte técnico, administrativo e organização de associações. O projeto permite que produtores que não possuem propriedade rural própria utilizem espaços protegidos para instalar colmeias, garantindo alimento para as abelhas por meio da vegetação nativa.
Atualmente, o programa apoia seis associações de apicultores, que somam 1.170 colmeias. Com uma produção média de quase 35 kg por colmeia, o volume chega a aproximadamente 40,9 toneladas de mel por colheita, realizada duas vezes ao ano.
Como funciona o apoio aos produtores?
Além da cessão do espaço para os apiários, o programa oferece capacitação para os trabalhadores. Rafaela Cavalcanti, consultora de desenvolvimento social da empresa, destaca que os produtores recebem acesso a tecnologias, equipamentos e insumos fundamentais para a atividade.
Outro suporte oferecido é o auxílio para a obtenção da carteira de apicultor. Segundo a consultora, o documento é essencial para a profissionalização do setor e para garantir segurança na comercialização do produto final.
Impacto ambiental e comercial
A atividade também desempenha um papel ecológico através da polinização. Segundo Domingos Alburghetti, produtor da região, a presença das abelhas é vital para o ciclo de diversas espécies na natureza e para a biodiversidade das áreas preservadas.
No cenário estadual, Aracruz ocupa a primeira posição no ranking de produtividade de mel. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a cidade é responsável por 10,6% da produção do Espírito Santo, seguida por Fundão (9,7%) e Marechal Floriano (9,5%).
O setor de mel no estado apresentou crescimento expressivo nos últimos anos. Em 2024, o Espírito Santo produziu 846 mil quilos de mel, um aumento de 55% em relação ao volume registrado em 2016, quando a produção era de 544 mil quilos.
