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Carreira

Erro na escolha de gestores faz empresas perderem talentos e resultados, aponta pesquisa

Pesquisa da Gallup indica que 82% das empresas erram ao promover profissionais baseando-se apenas no desempenho individual.

Por Davy Albuquerque

Promover profissionais com alto desempenho individual para cargos de gestão sem o preparo adequado pode resultar na perda de talentos e na queda de produtividade. O erro ocorre quando as organizações confundem a capacidade de execução com a habilidade de liderar equipes, transformando um excelente executor em um líder imaturo.

Dados da pesquisa State of the Global Workplace 2025, realizada pela Gallup, revelam que 82% das empresas erram ao selecionar seus gestores. O levantamento aponta que o critério de escolha costuma priorizar o tempo de casa ou o sucesso na função anterior em vez do talento específico para a liderança.

O cenário de despreparo é reforçado pelo fato de que apenas 44% dos gestores receberam algum tipo de treinamento formal de liderança. De acordo com o mesmo estudo da Gallup, a qualidade do gestor imediato é responsável por explicar 70% da variação no engajamento das equipes dentro das empresas.

Por que as empresas erram na promoção?

O problema central está na aplicação do chamado Princípio de Peter. O conceito explica que profissionais costumam ser promovidos até atingirem um nível onde não possuem mais competência para atuar, pois o critério de ascensão é quase sempre o sucesso na função técnica anterior.

A falha ocorre porque as habilidades necessárias para vender ou executar tarefas técnicas são distintas das exigidas para gerir pessoas. Enquanto negociar com clientes exige um conjunto de competências específicas, a gestão demanda capacidade para estruturar processos, dar feedback, contratar e demitir.

Ao realizar essa transição sem suporte, a organização sofre um impacto duplo. De um lado, perde um colaborador de alta performance cujos resultados eram mensuráveis; de outro, assume um gestor que tende a replicar seu próprio modelo de execução em vez de construir capacidade coletiva na equipe.

Esse modelo de gestão acaba tornando a liderança uma extensão da execução, em vez de uma evolução dela. A consequência é que a equipe passa a depender do líder para performar, o que limita o desenvolvimento e a autonomia dos colaboradores.

Como evitar o erro na gestão?

Para reverter esse quadro, a solução passa pela redefinição dos critérios de promoção. Especialistas indicam que é fundamental avaliar o potencial de liderança antes da ascensão ao cargo, estruturando processos de transição que incluam formação específica e acompanhamento constante.

Outra estratégia para preservar talentos é a criação de trilhas paralelas de crescimento. Esse modelo permite que profissionais evoluam tecnicamente dentro da empresa sem a necessidade de migrar obrigatoriamente para funções de gestão, respeitando a aptidão de cada profissional.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.