Programa de renegociação de dívidas rurais deve trazer alívio ao Banco do Brasil, dizem analistas
Medida do governo federal com juros de até 12% e carência de 2 anos pode reduzir inadimplência no setor de agronegócio.
Por Davy Albuquerque
O novo programa de reestruturação de dívidas do setor rural, lançado pelo governo federal, deve trazer alívio para o Banco do Brasil no curto prazo, segundo avaliações de analistas de mercado. A medida visa reduzir a pressão de inadimplência no período de pico de vencimentos do agronegócio e diminuir o incentivo de produtores para o atraso de pagamentos.
O governo federal publicou a Medida Provisória 1.376, que cria um programa de reestruturação com taxas de juros de até 12% e prazos de até 10 anos, incluindo dois anos de carência. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a expectativa é que as renegociações comecem imediatamente e alcancem um total de R$ 100 bilhões.
Como a medida impacta o banco?
Para o Banco do Brasil, o programa oferece o alongamento do prazo das dívidas, o que pode melhorar a qualidade dos ativos. Conforme relatório de analistas do Safra, o custo subsidiado pelo Tesouro pode aumentar a capacidade e a disposição dos agricultores de honrar os compromissos financeiros.
A medida também deve ajudar a conter a formação de novos créditos inadimplentes entre abril e setembro, período de pico de vencimentos. A ausência de exigência de entrada e a carência de dois anos servem para eliminar o incentivo de adiar pagamentos na expectativa de condições melhores no futuro.
Analistas do Bank of America estimam que o programa possa beneficiar aproximadamente 10% da carteira de crédito do Banco do Brasil. Caso o banco concentre 50% das operações do programa, o impacto atingiria cerca de 60% dos empréstimos inadimplentes e renegociados.
Quais são os desafios para o setor?
Apesar do potencial de alívio para as provisões, a equipe do Bank of America mantém uma visão negativa para o crédito agrícola. A instituição aponta que questões estruturais, como margens reduzidas e o elevado nível de alavancagem dos produtores, devem persistir e limitar o crescimento da carteira nos próximos um a dois anos.
No setor rural como um todo, dados da Serasa Experian apontam que a inadimplência atingiu 8,8% no primeiro trimestre, uma alta de 1,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano passado. No Banco do Brasil, a carteira de crédito rural somou R$ 418,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com índice de inadimplência acima de 90 dias em 6,2%.
O banco divulga os números referentes ao segundo trimestre no dia 12 de agosto. No início do mês, a instituição anunciou R$ 210 bilhões para o financiamento da safra 2026/27.
