Bancos digitais impulsionam abertura de contas para menores de idade no Brasil
Modalidade 'kids' e de adolescentes permite uso de Pix e cartões sob monitoramento de responsáveis.
Por Redação Diário Local
A expansão dos bancos digitais tem facilitado o acesso de crianças e adolescentes ao sistema financeiro no Brasil. Novas modalidades de conta, incluindo opções para o público a partir dos 10 anos, permitem que jovens gerenciem recursos por meio de cartões e Pix, sempre sob o monitoramento de pais ou responsáveis.
O setor tem registrado um crescimento expressivo na bancarização de menores de idade. O Banco Inter, por exemplo, possui mais de 3 milhões de clientes menores de 18 anos, número que corresponde a 36% das contas abertas pela instituição desde o início da oferta da modalidade, em 2023. O PicPay também apresentou avanço, registrando 2 milhões de clientes menores de idade em outubro de 2024, enquanto o C6 Bank reportou um aumento de 40% na abertura de contas para esse grupo.
Como funciona o uso dessas contas?
As instituições financeiras têm desenvolvido contas específicas que buscam oferecer uma experiência intuitiva para o público jovem. De acordo com Tasso Lugon, CEO da Banestes Asset Management, essas ferramentas incluem cartões com limites definidos pelos responsáveis, notificações de gastos em tempo real e metas de economia.
Além do controle, há um foco na educação financeira. Os aplicativos costumam incorporar conteúdos educativos e interfaces lúdicas, como cofrinhos virtuais. Segundo Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), o acesso precoce ajuda a familiarizar o adolescente com ferramentas financeiras, o que beneficia especialmente jovens que iniciam trajetórias profissionais como aprendizes ou que recebem bolsas e auxílios.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destacou, em nota, que os bancos digitais se tornaram atrativos para iniciar a relação com o dinheiro, permitindo desde o uso de cartão de débito até a alocação de recursos em investimentos para o futuro.
Quais são os principais riscos?
Apesar das facilidades, o acesso antecipado ao crédito e ao consumo exige supervisão rigorosa. Dados do Banco Central revelam que o número de jovens com acesso ao crédito no Brasil passou de 13,7 milhões, em 2016, para 27,6 milhões, em 2024.
Entre os perigos apontados estão o uso inadequado dos recursos para apostas online e a compra de ativos de alta volatilidade, como criptoativos, sem orientação profissional. Especialistas alertam também para o risco de compras por impulso e para a falta de compreensão sobre conceitos fundamentais, como taxas de juros e o custo efetivo total, o que pode naturalizar o endividamento precoce.
Outros desafios envolvem a segurança digital, incluindo golpes, fraudes e o excesso de informações não qualificadas sobre investimentos em redes sociais. Por isso, a manutenção dessas contas exige obrigatoriamente a supervisão de um responsável legal, que pode utilizar ferramentas de controle para gerir as transações e limites dos filhos.
