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Economia

Carga do sistema elétrico oscilou mais na Copa de 2026 do que em 2022, diz ONS

Segundo o ONS, variações de carga aproximaram-se de 20% durante o Mundial de 2026, superando os 14% registrados na edição anterior

Por Davy Albuquerque

A carga do sistema elétrico brasileiro apresentou oscilações mais intensas durante a Copa do Mundo de 2026 do que no Mundial de 2022, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta segunda-feira (20).

Segundo o órgão, enquanto as maiores variações na edição anterior ficaram entre 11% e 14%, os movimentos deste ano aproximaram-se de 20%. Apesar das alterações bruscas, a operação especial terminou sem interrupção no fornecimento de energia para a população.

As oscilações decorrem da mudança simultânea na rotina de milhões de pessoas durante as partidas. O consumo em empresas, comércios e residências tende a cair durante os jogos, gerando o que o setor elétrico chama de "rampa de carga".

Essa rampa ocorre nos intervalos e após o apito final, quando a retomada de atividades e o uso de eletrodomésticos elevam a demanda de forma acelerada.

Qual foi a maior queda de consumo?

A maior redução de carga registrada durante a Copa ocorreu no confronto entre Brasil e Japão, disputado no dia 29 de junho (29). Entre 14h e 16h, o consumo do Sistema Interligado Nacional (SIN) ficou até 21% abaixo da curva de referência usada pelo ONS.

Após a partida da seleção brasileira, a carga permaneceu abaixo do padrão durante o jogo entre Alemanha e Paraguai. Com o fim do confronto, por volta das 20h, a demanda aumentou 4.450 MW (megawatts) em apenas 20 minutos.

A final entre Argentina e Espanha, realizada no domingo (19), também apresentou variações. A carga ficou até 6,6% abaixo da observada em um domingo típico e, após a conquista do título pela Espanha, o sistema registrou uma elevação de 6.479 MW.

Como funcionam as restrições de geração?

As oscilações no consumo também ampliam a necessidade de restringir a geração para manter o equilíbrio do sistema. Quando a oferta supera a demanda ou não pode ser totalmente transportada, o ONS determina a redução da produção de certas usinas.

O setor utiliza o termo "curtailment" (corte de geração) para essa medida. O procedimento não significa interrupção no fornecimento aos consumidores, mas sim que usinas solares e eólicas deixam de produzir parte da energia que poderiam gerar.

Durante os cinco jogos da seleção brasileira na Copa, foi necessária a restrição de 50,4 GWh (gigawatts-hora) de geração solar e eólica. O volume equivale a cerca de seis horas de produção da usina de Itaipu, considerando a média de 8,3 GWh por hora registrada em 2025.

As restrições foram mais severas em partidas diurnas ou em períodos de menor consumo. O jogo contra o Japão respondeu por 15,1 GWh de corte de geração.

A eliminação do Brasil diante da Noruega, em um domingo (19), exigiu o corte de 22,8 GWh. Somente esses dois confrontos concentraram 75,2% de toda a restrição registrada durante a campanha da seleção brasileira no torneio.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.