ONS determina corte emergencial na geração de energia para evitar sobrecarga da rede
Medida emergencial atinge a micro e minigeração para equilibrar o sistema elétrico neste domingo (23).
Por Redação Diário Local
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou o corte na geração distribuída de energia neste domingo (23) para evitar a sobrecarga da rede elétrica. A medida é necessária para manter o equilíbrio entre a energia produzida e a consumida, prevenindo riscos de desligamentos automáticos de equipamentos no sistema.
O plano emergencial atinge a chamada micro e minigeração distribuída do tipo 3. Essa categoria abrange pequenas centrais hidrelétricas, usinas de biomassa e fontes eólicas e solares de menor porte. De acordo com o ONS, o recurso é indicado devido à menor carga de consumo típica de finais de semana.
As distribuidoras de energia foram notificadas neste sábado (22) sobre a necessidade de acionar o plano de gestão de excedentes. O corte teve início às 11h deste domingo (23) e a previsão é que a medida siga até as 13h30, conforme o pedido do operador.
Como o ONS não possui controle direto sobre essas fontes de menor escala, a gestão da carga é feita pelas distribuidoras. As pequenas produtoras, que geram energia para consumo próprio ou venda de excedente, devolvem a produção não utilizada à rede por meio dessas empresas.
O aumento do volume de instalações domésticas e de pequeno porte tem sobrecarregado as redes de distribuição. Em nota, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirmou ser urgente o aprofundamento de políticas públicas para reorganizar o sistema e solucionar gargalos que possam levar a apagões.
Histórico de cortes e regulação
Esta é a segunda vez que o órgão aciona esse mecanismo de corte neste ano. A medida faz parte de um plano emergencial implementado pelo operador após aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025.
O setor já realiza cortes de geração há anos — prática conhecida como curtailment — em grandes usinas eólicas e solares que são integradas ao sistema. Em 2025, o Brasil deixou de utilizar cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido produzida devido a esses cortes.
Com o crescimento da geração distribuída, tornou-se necessário estender a regulação para produtores de menor escala. O ONS prevê começar a testar, ainda este ano, cortes automáticos de geração solar remota para proteger o sistema elétrico.
O projeto piloto de testes deve afetar a geração por fazendas solares. Nessas instalações, a energia é produzida em um local específico e vendida posteriormente por meio de créditos para outros consumidores.
