CVM apura uso de laudos falsos para inflar patrimônio de fundo imobiliário
Investigação aponta que grupo ligado a Daniel Vorcaro usou avaliações forjadas para inflar valor de imóveis e atrair investidores.
Por Redação Diário Local
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apura a suspeita de que laudos de avaliação falsos foram utilizados para inflar o patrimônio do fundo imobiliário Brazil Realty. O objetivo do esquema seria vender cotas a preços elevados, transferindo prejuízos para investidores de mercado.
Segundo o processo, o grupo ligado a Daniel Vorcaro teria forjado documentos para elevar o valor de ativos imobiliários. Com o patrimônio do fundo artificialmente inchado, os investigados teriam obtido lucros milionários sobre os compradores das cotas, uma vez que o valor real dos imóveis era inferior ao anunciado.
A CVM identificou um prejuízo de R$ 5,8 milhões para os fundos que negociaram as cotas envolvidas na operação.
Como funcionava o esquema de avaliação
A investigação detalha casos de discrepâncias extremas nos valores dos imóveis. Em Nova Lima (MG), um imóvel de 7.111 m² teve seu valor saltado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,9 milhões, utilizando como base um laudo de outubro de 2017. A empresa responsável pelo documento foi intimada, negou a autoria e registrou um boletim de ocorrência, classificando o papel como fraude.
Em Contagem (MG), a acusação aponta uma possível sobreavaliação de aproximadamente R$ 56 milhões em um imóvel de 76 mil m². Além dos laudos, a autarquia investiga se empresas do grupo realizavam operações de compra e venda entre si para dar aparência de liquidez ao papel no mercado secundário.
A Entre Investimentos e Participações foi apontada como a responsável por conferir liquidez à operação, realizando 177 movimentações no mercado de balcão entre novembro de 2018 e março de 2020. Em sua defesa, a empresa afirmou que a CVM não descreveu com precisão os atos ilícitos praticados.
Defesas e investigações da CVM
A acusação da CVM inclui 18 nomes, entre os quais estão Daniel Vorcaro e o Banco Master. Em resposta, as defesas de Daniel Vorcaro, do Banco Master e da Viking sustentaram a regularidade das integralizações de cotas. O Banco Master ressaltou que suas operações foram realizadas em dinheiro, o que comprovaria a regularidade por meio de transferências bancárias.
O caso integra a pauta da CVM nesta terça-feira (8). A autarquia informou que, após a liquidação do Banco Master, implementou um pente-fino para mapear o modo de operação do Grupo Master e da Reag Investimentos, analisando 314 processos instaurados desde 2017 para aprimorar a supervisão do mercado.
