Economista Daniella Marques critica modelo atual e defende ajuste fiscal para o Brasil
Ex-presidente da Caixa Econômica critica condução das contas públicas, juros e endividamento da população.
Por Redação Diário Local
A economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, afirmou nesta terça-feira (1) que o país precisa de um ajuste fiscal para mudar o atual modelo econômico. Durante apresentação no Fórum Empresarial Lide, Marques criticou a condução das contas públicas e defendeu propostas baseadas em produtividade e liberdade individual.
Ao comentar o cenário econômico, Marques reproduziu uma fala do senador Rogério Marinho (PL-RN), feita na segunda-feira (31), sobre a necessidade de alteração na gestão do poder para viabilizar o ajuste. A economista ressaltou que o modelo atual não foca na expansão da renda por meio da produtividade.
Segundo a economista, o Brasil apresenta indicadores de competitividade abaixo de nações como Nigéria e Botsuana. Ela citou ainda a carga tributária elevada e a taxa de juros real, que estimou em 8,5%.
Impacto no endividamento das famílias
Marques destacou o nível de endividamento dos brasileiros, informando que mais de 80% da população possui dívidas. Dessa parcela, 25% do valor é utilizado para o pagamento de despesas básicas.
A economista também questionou o debate sobre o reajuste do salário mínimo. Para ela, a discussão não considera o impacto dos juros sobre as famílias endividadas, argumentando que o custo de uma parcela de juros pode ser superior ao ganho de um reajuste real.
Gestão de estatais e contas públicas
As empresas estatais também foram alvo de críticas. Marques apontou um rombo de R$ 7,8 bilhões registrado no último semestre. Ela comparou o resultado atual com o período de gestão de Jair Bolsonaro (PL), quando, segundo sua visão, as empresas apresentaram lucro.
Em relação à estrutura do Estado, a economista defendeu que um país endividado não deve ampliar ministérios nem realizar novas contratações de pessoal. Ela citou como exemplo o impacto de novas contratações e o déficit das estatais no equilíbrio das contas.
Por fim, Marques defendeu o conceito de "capitalismo popular", inspirado nas ideias de Margaret Thatcher, que promove maior acesso ao mercado de capitais e à propriedade, visando colocar as contas públicas em ordem.
