Dólar volta a subir e encerra em R$ 5,08 após queda expressiva no primeiro turno
Moeda americana avançou 1,17% na última quinta-feira (15) e encerrou a terceira sessão consecutiva de valorização frente ao real.
Por Redação Diário Local
O dólar voltou a ganhar força frente ao real após a queda registrada na sequência do primeiro turno das eleições presidenciais. Na quinta-feira (15), a moeda americana avançou 1,17% e encerrou o dia cotada a R$ 5,087, consolidando a terceira sessão consecutiva de valorização.
O movimento atual contrasta com a reação inicial do mercado ao resultado eleitoral, quando a divisa chegou a ser negociada abaixo de R$ 5, após ter encerrado a sessão anterior ao pleito a R$ 5,2165. A recuperação do câmbio coloca em evidência as expectativas sobre o cenário eleitoral, o comportamento de investidores estrangeiros e a trajetória dos juros no país.
Por que o dólar caiu logo após o primeiro turno?
A desvalorização da moeda americana no início de outubro ocorreu em um período de maior otimismo em relação às perspectivas econômicas brasileiras. No primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro (05), o dólar à vista abriu a R$ 4,9760, com queda de 4,61% em relação ao fechamento anterior.
Segundo o economista Rafael Perretti, da Clear Corretora, dois fatores explicam o movimento: o ingresso de capital estrangeiro e a revisão das expectativas para os juros. A entrada de recursos internacionais amplia a oferta de dólares no mercado interno, o que favorece o real. Ao mesmo tempo, a melhora das expectativas econômicas fortaleceu os ativos brasileiros.
As projeções do Boletim Focus também passaram por revisões. A mediana das estimativas para a Selic ao final de 2026 recuou de 13,75% para 13,50% e, mais recentemente, para 13,25%. Com a taxa básica atualmente em 13,75%, o cenário indica possibilidade de uma redução de 0,50 ponto percentual até dezembro.
Quais fatores podem mudar o rumo do câmbio?
O fluxo de investimentos estrangeiros é um dos pontos principais para as próximas semanas. Para Perretti, a permanência desses recursos favorece o real, enquanto uma eventual retirada de capital para realização de lucros pode aumentar a demanda por dólar e pressionar a cotação para cima.
Além do cenário eleitoral, a responsabilidade fiscal é monitorada de perto. Uma deterioração nas expectativas fiscais pode provocar uma mudança no comportamento dos investidores, que podem buscar a moeda americana como instrumento de proteção contra o risco.
Como o movimento afeta as empresas?
A volatilidade do câmbio pode impactar diretamente o desempenho de empresas exportadoras, especialmente aquelas com receitas vinculadas à moeda americana, como Vale e Petrobras. Em um cenário de valorização muito intensa do real, empresas com receitas em dólar podem enfrentar pressão sobre seus resultados finais.
O economista aponta que uma cotação de dólar em níveis muito mais baixos, como R$ 4,50, poderia reduzir o valor, em reais, das receitas obtidas pelas companhias no exterior, embora o impacto dependa também dos custos e do endividamento de cada negócio.
