Endividamento das famílias brasileiras estabiliza em 81,6% em junho
Taxa de inadimplência manteve 29,9% em junho e ambiente de crédito menos pressionado pode ajudar recuperação do poder de compra
Por Davy Albuquerque
O percentual de famílias brasileiras endividadas estabilizou em 81,6% em junho, interrompendo uma sequência de cinco meses de alta. O dado foi divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
A taxa de inadimplência — referente a contas em atraso — também permaneceu estável, registrando os mesmos 29,9% observados em maio. A CNC atribuiu a leve melhora do cenário a um ambiente de crédito menos pressionado e indicou que o poder de compra pode ser recuperado ainda em 2026.
Apesar da estabilização mensal, a entidade ressaltou que os índices atuais estão acima dos patamares de junho de 2025, quando o endividamento era de 78,4% e a inadimplência era de 29,5%.
Como está o perfil das dívidas no Brasil?
O cartão de crédito segue como o principal motivo de endividamento, atingindo 84,7% das famílias em junho. Na sequência, os principais tipos de débitos são os carnês, com 16,1%, e o crédito pessoal, com 13,2%.
Os financiamentos de imóveis representam 9,9% das dívidas, enquanto os financiamentos de automóveis somam 9,0% do total no mês. O volume de famílias com parcelas devidas em prazos superiores a um ano não sofreu alteração, mantendo-se em 33,3%.
O que dizem os especialistas sobre o cenário?
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a estabilização da inadimplência e a melhora nos prazos de pagamento oferecem um alívio ao consumidor. Ele pontuou que a manutenção de um ambiente favorável depende da continuidade dos efeitos do programa Desenrola e da redução progressiva da taxa Selic pelo Copom.
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, os resultados menos adversos coincidem com os primeiros 60 dias de validade do Desenrola 2.0, programa de renegociação de débitos. Contudo, ele alertou que os efeitos práticos na redução consolidada dos indicadores devem ser sentidos de forma mais expressiva nos próximos meses.
Quais as projeções para o futuro?
O tempo médio de atraso das contas apresentou sua segunda queda consecutiva, caindo para 64,8 dias. Já o percentual médio de comprometimento da renda com o pagamento de parcelas permaneceu em 29,3%.
A maioria dos devedores (55,8%) dedica entre 11% e 50% de seus rendimentos mensais para quitar os compromissos. Por fim, as projeções estatísticas da CNC indicam uma tendência de elevação no nível geral de endividamento no país, acompanhada por um leve crescimento residual na taxa de contas em atraso.
