Ex-funcionários das Casas Bahia queimam uniformes em protesto no Rio de Janeiro
Manifestantes protestaram em Bonsucesso contra demissões e cobrança de verbas rescisórias enquanto a varejista passa por recuperação judicial.
Por Redação Diário Local
Ex-funcionários das Casas Bahia e representantes do Sindicato dos Comerciários realizaram um protesto na tarde de terça-feira (08), em frente a uma loja da rede em Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Durante a manifestação, o grupo queimou camisas e bonés do uniforme da empresa para cobrar o pagamento de verbas rescisórias após uma onda de demissões.
Os cortes de pessoal atingiram ao menos 1,9 mil trabalhadores em agosto, segundo informações apuradas. Existe ainda uma estimativa de que os desligamentos tenham afetado cerca de três mil pessoas nos dias que antecederam o pedido de recuperação judicial da varejista.
A recuperação judicial é um mecanismo utilizado pelo grupo para negociar dívidas, que somam um passivo de R$ 17,3 bilhões. O sindicato questionou a cronologia dos fatos, afirmando que as demissões ocorreram entre os dias 13 e 15 de agosto, enquanto o pedido de recuperação foi apresentado no dia 16, sem o pagamento das verbas devidas.
O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, afirmou que a queima dos uniformes simboliza a insatisfação dos profissionais com os anos de dedicação à companhia. Segundo o representante, o objetivo dos trabalhadores é exclusivamente o recebimento dos direitos garantidos no desligamento.
Segundo o sindicato, os cortes atingiram funcionários com estabilidade garantida por lei, como gestantes e jovens aprendizes, além de pessoas que estavam em período de férias. O grupo manifestou que os protestos continuarão até que os valores sejam quitados.
A 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal determinou a suspensão das demissões e a reintegração provisória dos profissionais afetados. A decisão inclui também o restabelecimento do plano de saúde dos trabalhadores.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a decisão liminar que beneficia os ex-empregados. No entanto, a rede de varejo segue recorrendo da medida na Justiça.
A empresa busca, por meio do processo de recuperação judicial, reestruturar suas operações e lidar com o montante de dívidas acumuladas, enquanto enfrenta a resistência dos trabalhadores e da categoria profissional representada pelo sindicato.
